Eduardo
A casa estava mergulhada em silêncio quando Eduardo entrou. O brilho dos refletores do evento ainda ardia em seus olhos, mas ali, no espaço vazio da sala, tudo parecia opaco, morto.
As paredes elegantes da mansão pareciam mais frias do que nunca. O silêncio, que sempre fora sinônimo de ordem, agora tinha um peso estranho. A ausência dela reverberava em cada canto. Nenhum salto ecoando pelo mármore, nenhum perfume suave misturado às flores da mesa de centro. Apenas o nada.
Foi direto para o quarto que dividira nos últimos três anos com Vivian. Sempre que ela estava de birra, se recolhia ali para chorar. Mas, desta vez, não havia ninguém - apenas o vestido que ele havia encomendado meses antes, agora amassado sobre a cama, como um insulto mudo. Ao lado, um envelope.
O nome dele estava escrito em caligrafia precisa - a mesma que já traçara bilhetes apaixonados, lembretes carinhosos e até pequenas declarações em guardanapos deixados ao lado do café da manhã.
Ele não precisou abrir para saber o que era. Mesmo assim, rasgou o papel com violência.
A palavra saltou como um soco no estômago: Divórcio.
As páginas seguintes, cheias de termos jurídicos e cláusulas calculadas, ele sequer se deu ao trabalho de ler. Jogou tudo de volta sobre a mesa, o olhar endurecido.
- Interessa pra quem - rosnou, amargo, como se pudesse cuspir fora a mágoa.
Pegou o telefone. Assim que Marcos atendeu, a ordem saiu mais ríspida que de costume:
- Tem um documento em casa. Amanhã, na primeira hora, leve ao advogado.
- Sim, vice-presidente. Estou enviando para o senhor as imagens das câmeras de segurança do hotel. Algo parece ter acontecido com a senhora...


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