O outono brasileiro tingia os jardins da mansão Braga com tons de dourado e vermelho, criando um cenário sereno para a recuperação de Eduardo. Seis semanas haviam se passado desde o incidente em Madri, e a cada dia que passava, ele recuperava um pouco mais de sua força — não apenas física, mas emocional.
Sentados no jardim de inverno, Eduardo e Vivian observavam a chuva leve que caía lá fora, suas xícaras de chá formando pequenas nuvens de vapor no ar fresco da manhã.
— O médico disse que na próxima semana você já pode começar a fazer caminhadas mais longas — Vivian comentou, seus olhos seguindo o movimento das gotas na vidraça.
Eduardo pegou sua mão, seus dedos entrelaçando-se naturalmente com os dela. — Estou mais preocupado em quando posso te levar para jantar fora. Há um novo restaurante italiano que quero te mostrar.
Ela sorriu, aquele sorriso que ainda fazia seu coração acelerar. — Tem pressa, Sr. Braga?
— Tenho — ele respondeu, seu polegar acariciando suavemente suas costas da mão. — Tenho o resto da minha vida para planejar com você.
As conversas sobre o futuro haviam se tornado um ritual diário — não mais carregadas de ansiedade e incerteza do passado, mas cheias de esperança e planos compartilhados. Vivian continuaria com a galeria, mas agora como sócia — Matheus insistira em ceder parte de sua participação após saber tudo que acontecera.
— Você praticamente salvou a reputação da galeria — ele dissera a ela durante uma visita. — E quase perdeu a vida por isso. A parte é sua.
Eduardo, por sua vez, estava reorganizando o Grupo Braga — delegando mais responsabilidades, criando uma estrutura que lhe permitisse ter o tempo que nunca tivera antes. O IPO bem-sucedido proporcionara a estabilidade para isso.
— Pensei em comprar uma casa em Lisboa — ele comentou uma tarde, enquanto revisavam plantas arquitetônicas. — Algo menor, perto do Príncipe Real. Para quando quisermos escapar.
Vivian olhou para ele, surpresa. — Você gostou de Lisboa?
— Gostei de ver você feliz em Lisboa — ele corrigiu suavemente. — E quero ver você feliz em muitos outros lugares também.
Foi em uma dessas conversas, enquanto caminhavam lentamente pelo jardim — Eduardo ainda usando um apoio leve para caminhar.
Ele se virou para enfrentá-la, suas mãos encontrando as dela. A luz do fim da tarde filtrada pelas folhas do carvalho criava um halo ao redor de seus cabelos, e por um momento, ele sentiu-se como aquele garoto de quinze anos novamente — só que desta vez, sem medo, sem dúvidas.
— Vivian — ele começou, seus joelhos dobrando-se com alguma dificuldade, mas com uma determinação que fez seus olhos se arregalarem. — Eu te amo desde que sei o que é amor. Te amei quando era muito jovem para entender, te amei quando era muito burro para admitir, e te amarei até meu último suspiro.
Suas mãos tremiam ligeiramente quando ele tirou a caixinha do bolso. — Você já tem meu coração, minha alma, minha vida inteira. Mas há uma coisa que ainda preciso te dar.
Ele abriu a caixa, revelando um anel simples mas deslumbrante — um diamante único em um fino filete de ouro branco, tão elegante e atemporal quanto ela.
— Vivian Souza, você me daria a honra de se casar comigo? De novo? Desta vez do jeito certo — com toda a paciência, todo o respeito, todo o amor que você merece?
As lágrimas corriam livremente pelo rosto dela agora, mas seu sorriso era mais radiante do que o diamante que tremeluzia ao sol da tarde.
— Sim — ela sussurrou, sua voz carregada de emoção. — Sim, Eduardo Braga, eu me casarei com você. De novo. E de novo. E de novo.
Ele deslizou o anel em seu dedo — um encaixe perfeito, como sempre fora — e quando se levantou, seu beijo carregou o peso de todos os anos perdidos e a promessa de todos os que ainda viriam.
As preparações para o novo começo começaram imediatamente, mas desta vez, tudo era diferente. Não haveria um casamento opulento para impressionar a alta sociedade, nem pressa para cumprir expectativas alheias.
— Quero algo pequeno — Vivian explicou a Alice, enquanto olhavam tecidos para o vestido. — Apenas família e amigos próximos. No jardim, talvez.
Alice observava-a com um sorriso maroto. — Estão mesmo fazendo tudo diferente desta vez, não estão?
— Desta vez — Vivian respondeu, seu olhar suave, — estamos fazendo para nós, não para os outros.
Enquanto Vivian e Alice se ocupavam com os preparativos do casamento, Matheus tornara-se uma presença constante na casa de Alice — inicialmente para discutir detalhes jurídicos da galeria, mas gradualmente por razões que nenhum dos dois admitia completamente.
— Você sabe — Matheus comentou uma tarde, enquanto ajudava Alice a pendurar um quadro que ele lhe presenteou em seu novo apartamento, — passei anos vendo você apenas como a amiga barulhenta da Vivian.
Alice ergueu uma sobrancelha, suas mãos parando no que estava fazendo. — E agora?
— Agora — ele disse, seu olhar sério, — vejo que "barulhento" era outra palavra para "cheio de vida". E eu... bem, eu gosto de vida.
O ar entre eles mudou, carregado de uma tensão que vinha crescendo há semanas. Alice estudou seu rosto, seu próprio sorriso suavizando.
— Levou anos para você perceber isso? — ela brincou, mas sua voz era suave.
— Às vezes as coisas mais óbvias são as que mais demoramos a ver — ele respondeu, seu dedo tocando suavemente seu queixo.

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