— Vai fazer o quê, playboy? Chamar a polícia? Sai fora!
O homem me puxou de uma vez, fazendo meu corpo se chocar com o tecido imundo das roupas. O cheiro horrível de podridão se espalhou junto com o meu grito.
Noah deu um passo à frente.
— Afaste-se dela.
A voz soava tranquila e fria. Isso me confundia.
O guarda-chuva protegia o terno impecável, enquanto eu continuava embaixo da tempestade, como se o meu valor fosse menor do que o de um tecido idiota.
O homem me empurrou com força, e acabei caindo no meio da calçada. Noah não moveu nenhum músculo em minha direção.
Ficou parado, os olhos fixos no homem, como se estivesse diante de um inseto que incomodava a visão.
Foi quando Noah ergueu dois dedos e os seguranças apareceram do nada. Um deles segurou o pescoço do bêbado e o jogou contra a parede de um prédio.
O outro escaneou o rosto do maldito em um tablet.
Só então Noah olhou para mim. Ele não me tocou, mas deslizou o olhar pelo meu corpo, como se analisasse o estado deplorável em que eu estava: o vestido grudado, a maquiagem escorrida, as palmas das mãos arranhadas pelo impacto da queda.
Ele se aproximou do bêbado e falou sem nenhuma emoção.
— Você tocou no que não te pertence.
O segurança mostrou a tela do tablet. Noah apenas acenou com a cabeça e então deu a ordem.
— Ele tem uma oficina três ruas abaixo. Acabe com o contrato de locação do terreno. Quero as máquinas apreendidas até amanhã por falta de alvará. E garanta que nenhuma delegacia aceite a queixa dele.
O homem começou a gritar, misturando xingamentos, ameaças e pedidos, como se aquilo pudesse fazer algo mudar.
Não podia. Eu sabia disso porque já tinha tentado de tudo para quebrar aquela muralha invisível que separava o meu marido do resto da humanidade.
Somente quando a chuva parou de castigar meu rosto eu vi os sapatos impecáveis de Noah à minha frente.
— Venha, Aurora.
Me levantei do chão e Noah tirou o paletó e colocou nos meus ombros. O tecido era pesado, quente e tinha o cheiro dele.
Eu me encolhi dentro daquele casaco como se fosse um abraço. Mas, assim que entrei de volta no carro, ele decretou.
— Toda vez que você me desafia, alguém paga o preço. Hoje não foi você.
— Eu quase fui estuprada por um drogado! Como pode dizer que não paguei? Você é louco!
Noah pegou um lenço que estava em uma espécie de suporte no carro e começou a secar o meu rosto com cuidado.
— Você nunca será machucada. Por outro.

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