A água deslizou pelos músculos de Noah e eu esqueci.
Não lembrei da vergonha, nem das vezes que ele me fez sentir pequena. Eu queria o abraço dele. O abrigo quente que só me pertencia quando estávamos dormindo.
Noah despejou sabonete na palma da mão e apoiou sobre os meus ombros. Desceu devagar até nossos dedos se entrelaçarem.
— Não me provoca, Aurora. Eu não lido bem com as brincadeiras da sua família.
Fiquei em silêncio. Não queria mais brigar. Talvez, se eu aprendesse as regras do jogo que Noah estava jogando, pudéssemos, enfim, nos posicionar como aliados em vez de inimigos.
Noah me virou de costas para ele e fez com que eu apoiasse as costas no peito forte. As mãos circularam meu corpo e alcançaram meus seios. Ali ele demorou bem mais do que o necessário, e eu já estava gemendo com as sensações que meu marido provocava em meu corpo com aqueles toques.
— Você gosta assim, Aurora?
— Uhum.
Meus mamilos endureceram como se respondessem também. Ele percebeu e desceu a mão entre minhas pernas. O dedo pressionou leve, massageou, moveu.
A rigidez dele estava pressionada contra mim, e aquela reação era a única prova de que Noah não era tão frio quanto tentava mostrar.
Mas, quando ele alcançou mais abaixo do meu clitóris, sentiu a minha umidade e sorriu.
— Saia. O banho acabou para você.
Eu tentei ficar. Tentei envolver meus braços no pescoço dele.
— Fica comigo. Por favor.
— Eu dei uma ordem, Aurora. Saia do banheiro agora.
Ele apontou para a porta, apesar de eu estar nas pontas dos pés, agarrada a ele e pedindo por mais.
Acho que nunca senti tanta vergonha.
Eu saí com o corpo inteiro tremendo. Deitei na cama sem me secar e esperei que ele saísse. Quando Noah deitou, eu tentei de novo.
— Me desculpa. Eu não devia ter fugido. Não devia ter mordido você no carro. Para com isso. A gente pode ser pelo menos amigo? Não dá para viver em guerra o tempo todo, Noah. Estou cansada disso.
Noah fechou os olhos.
— Você está atrapalhando o meu descanso, Aurora. Durma.
— Então vai dormir, seu iceberg cabeludo. Chato e arrogante!
A raiva me fez rolar para a beirada da cama. Fiquei no limite do colchão, quase caindo. Não queria falar com ele. Passei as unhas na costura do tecido da colcha.
Adormeci enquanto molhava de lágrimas a mão que usei como travesseiro, mas acordei horas depois sentindo o braço dele em volta da minha cintura.
Eu estava colada ao peito dele.
Me odiei por me sentir segura ali. Noah abriu os olhos e falou com os lábios grudados à minha pele.
— Levanta, vamos para a empresa. Hoje eu te levo.

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