Noah sorriu.
O rosto não estava marcado, mas eu sabia o que tinha feito. Ainda assim, não recuei.
— Eu não sou a Suzanna!
Ele se vestiu desfazendo o sorriso, quase como se sentisse algum prazer com o meu pânico. Ajeitou o punho da camisa e vestiu o paletó com uma calma que não parecia humana.
— Noah, desculpa. Eu não quis fazer isso, quer dizer, eu quis. E você mereceu, eu só não deveria ter feito isso. Perdi a cabeça.
Ele não me interrompeu. Apenas passou por mim e saiu. O som da porta foi a última coisa que ouvi dele.
Fiquei sozinha naquela empresa o restante do dia. Arrumei a mesa dele e deixei um bilhete embaixo do teclado.
Noah, eu me casei com você pensando em me vingar da Suzanna, mas alguma coisa mudou para mim. Não quero mais isso. Quero a gente, por favor, me desculpa. Assinado: Sua esposa.
O dia escureceu lá fora e as luzes da cidade começaram a brilhar através do vidro de um jeito que machucava meu peito. Tentei focar nos arquivos, mas as letras pareciam quase transparentes.
Saí pela garagem e perguntei ao segurança pelo carro de Noah.
— O senhor Blanc saiu cedo com a senhorita Karina.
Agradeci segurando o choro, odiava a certeza de que Noah desejava qualquer mulher, menos eu.
Caminhei até o ponto de ônibus que tinha próximo à empresa olhando para as pontas dos meus sapatos e assim que eu cheguei. Um carro luxuoso parou.
Meu coração quase explodiu de alegria, não pensei em nada, só abri a porta e entrei no banco de trás.
— Noah!
O assento estava vazio. O cheiro de couro e o perfume dele eram as únicas coisas que trouxeram alguma felicidade.
Perguntei ao motorista sobre o meu marido.
— Onde está o senhor Blanc?
O vidro de isolamento entre nós subiu e ficou completamente preto.
Tentei abrir a porta, mas estava trancada. Tentei baixar o vidro lateral, igualmente travado.
Comecei a chutar a porta e a gritar, mas nada parecia adiantar. Peguei o celular com as mãos tremendo tanto que o aparelho caiu no chão.
Procurei e quando o encontrei, o único nome que veio à minha mente foi do meu marido.
Não pensei na polícia, nem no meu pai. Eu queria o Noah.
Depois de vários minutos chamando. Ele atendeu. A música estava alta e vozes e risadas se misturavam perto demais dele.

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