Suzanna estava curvada, chorando de um jeito desesperado, a mão no rosto e me olhando tão assustada que ninguém duvidaria que eu realmente tinha espancado a minha irmã.
Os empregados começaram a aparecer, pouco a pouco a minha vergonha se tornou um espetáculo público.
Noah não correu, nem gritou. Ele apenas ordenou com as mãos nos bolsos. O olhar dele percorreu Suzanna no chão e depois parou em mim. Eu ainda estava tremendo de ódio e vergonha.
Em seguida, a ordem foi direcionada aos funcionários.
— Saiam.
Helena e as outras, simplesmente desapareceram. Enquanto Suzanna tentava chorar mais alto, estendeu a mão pedindo ajuda. Procurando o abraço do meu marido sem se importar com a minha presença.
— Olha o que ela fez, Noah! Ela enlouqueceu.
Noah não se moveu, apenas falou com o mesmo tom de sempre.
— Levante.
Ela percebeu que o teatro não estava funcionando e se levantou devagar, fingindo mancar.
— Ela me atacou, Noah. Essa mulher é louca!
— Você tem razão.
Suzanna olhou para mim com a mesma expressão que usava quando conseguia que nosso pai me batesse por causa dela. Mas isso mudou assim que Noah continuou.
— Suas coisas serão levadas para a ala de hóspedes, no final do corredor externo. Onde os seguranças fazem a ronda e você não atrapalha a ordem da casa.
— O quê? Mas você disse...
— Você já teve consideração demais, Suzanna. Não abuse.
Noah a interrompeu sem mudar a voz, quase como se anunciasse o horário que o café deveria ser servido. Ele deu as costas para ela. Suzanna tentou argumentar, mas um gesto de mão de Noah a calou.
Fiquei parada. Achei que ele me arrastaria para o escritório e defenderia a mulher que ele sempre amou.
Mas não aconteceu.
Noah se aproximou de mim e passou a mão no meu rosto.
— Ela não manda em você, Aurora. Nunca ache que ela tem esse poder.
— Você a trouxe para cá. Você deu o quarto ao lado do nosso para ela. Eu voltei sozinha, você voltou com ela.
— Suzanna voltou porque precisa. Ela é uma peça que eu ainda não movi e isso não significa que a quero. Você eu escolhi. Tenha isso em mente nos próximos dias, Aurora.
A mão desceu para o meu pescoço e em seguida para o braço que havia ficado roxo em algum momento daquela confusão.
Depois envolveu o meu corpo e me guiou de volta para o nosso quarto.
— Não vou escolher entre vocês. Porque não são a mesma coisa para mim. Nenhuma de vocês é descartável.
— Você me deixou sozinha na empresa, elogiou ela enquanto me tocava. Vocês dois são dois monstros.
Noah se afastou e me serviu um copo com água antes de responder.

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