Noah entrou no carro ainda com o maxilar travado, abriu o paletó e se sentou afastado de Suzanna.
Ela cruzou as pernas no banco de couro, mostrando bem mais do que seria considerado adequado.
— Fico feliz que tenha me chamado para sair depois de tudo o que aconteceu. Estava angustiada naquela casa.
Noah não respondeu. Continuou olhando pela janela até que, de repente, apertou o botão que liberava a comunicação com o motorista.
— Pare na melhor joalheria da cidade.
Suzanna abriu um sorriso enorme enquanto ajeitava ainda mais o decote. Mencionou um presente que havia recebido de Noah enquanto ainda eram namorados.
Colocou a mão na perna dele, com as unhas longas raspando o tecido até chegar no zíper da calça.
Ele olhou para baixo e tirou a mão da garota.
— Nunca transei com mulheres do seu tipo. Não vou começar agora que estou casado. Fique longe de mim, Suzanna. Melhor não abusar da minha boa vontade.
O motorista girou o volante e, alguns minutos depois, parou em frente à joalheria que o patrão tinha indicado.
Noah desceu sem esperar. Suzanna correu atrás dele com os olhos brilhando.
Ela entrou na loja desfilando, o busto quase saltando para fora do decote.
Parou perto de uma vitrine de diamantes e deslizou a mão pelas costas de Noah, aproximando o corpo.
— Você sempre teve bom gosto. Lembra do anel que me deu em Paris?
Noah se afastou. Ele não olhou para ela.
— Não. Houve um tempo em que fiz investimentos errados. Porcarias bonitas sempre enganam homens menos experientes. Mas não costumo errar duas vezes.
Suzanna travou.
— Noah, eu achei que...
— Não confunda proteção com desejo, Suzanna. Não é assim que se pede nada a mim. Fique parada e em silêncio.
Noah apontou para uma peça no mostrador de veludo. Um colar de ouro branco com uma safira única. Ele mandou embalar.
Suzanna estendeu a mão para pegar a sacola, mas Noah a entregou ao segurança.
— É lindo. Quando posso usar?
— Nunca. Esse presente é para a minha mulher. Você é um ativo sob minha guarda, nada além disso.
O rosto de Suzanna ficou pálido.
Ela seguiu Noah para o carro em silêncio. E, no caminho até a casa de Antônio, a irmã de Aurora não conseguiu pensar em nada além da humilhação de ser rejeitada na frente dos funcionários.
O sorriso debochado da atendente da loja e a raiva que tinha da garota que havia roubado seu lugar ao lado de Noah Blanc.
Quando o carro parou, os sogros já estavam esperando na porta.
A recepção foi tensa. O pai de Aurora estava pálido.
Solange abraçou a filha por um longo tempo, segurou o rosto de Suzanna entre as mãos.
— Ele não te fez mal, minha filha.
— Noah foi ótimo comigo, mãe.
Dentro da casa, a madrasta de Aurora tentava ser gentil, mas as mãos tremiam quando serviu o chá. Noah se sentou na poltrona principal.

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