Passei a noite acordada.
Meus olhos presos na madeira branca da porta, a esperança de que Noah se arrependesse, que voltasse para mim.
O lado direito da cama estava frio, passei a mão pelo lençol, abracei o travesseiro dele.
Noah não voltou.
Ele não estava ali, e isso doeu mais do que qualquer humilhação.
Levantei procurando qualquer indício, mesmo que pequeno, de que ele tivesse voltado em algum momento e que, por descuido, os meus olhos pudessem ter me traído.
Não encontrei nada. Nenhuma ordem, nenhuma roupa nova que ele quisesse me obrigar a usar.
Só uma caixa de veludo preta sobre a poltrona. Abri por curiosidade, mas quando encontrei um colar, a vontade que tive foi de arremessar aquilo pela janela, como tinha feito com o vaso de porcelana.
Era lindo. O tipo de coisa que Suzanna amava. Nem precisava ter o nome dela ali para eu ter certeza de que seria um presente para minha irmã.
Provavelmente Noah faria amor comigo e, quando ela o confrontasse com o ciúme que ele queria provocar, meu marido a presentearia com aquela joia.
Deixei tudo como estava.
Desci as escadas e os empregados trabalhavam como se estivessem sozinhos, não tinham coragem de me encarar.
Helena passou por mim com uma bandeja de prata e desviou o rosto. Percebi que a casa inteira tinha sua preferida e, obviamente, não era eu.
Encontrei Suzanna usando um roupão de seda fina, aberto o suficiente para mostrar a pele clara. O cabelo estava preso, com alguns fios soltos.
Tentei ignorar a presença irritantemente bonita e perguntei para a governanta sobre o meu marido.
— O senhor Blanc já tomou café?
A senhora olhou para mim, abaixou a cabeça e saiu sem me responder. Concluí que até os empregados sabiam onde meu marido tinha passado a noite.
Peguei um copo de suco e uma torrada, mas quando estava passando o requeijão, olhei meio que por acidente o pescoço de Suzanna.
Havia uma mancha avermelhada perto da clavícula. Recente. Não pareceu uma provocação. Pareceu uma consequência de algo que aconteceu enquanto eu chorava sozinha.
— Onde ele está?
Minha voz saiu gaguejada e fraca, mas a resposta de Suzanna saiu depois de um longo minuto pensando. Ela terminou de tomar o café, colocou a mão exatamente no lugar onde eu estava olhando.
E, por fim, concluiu.
— Ele não gosta quando fazem barulho depois, Aurora. Sugiro que não vá até o meu quarto antes do meio-dia.
Suzanna não explicou a marca no pescoço, nem falou nada além da provocação, que a divertiu ao ponto da risada dela ficar ecoando em meus ouvidos mesmo depois que ela já tinha saído.
Procurei por Noah no escritório, depois em cada um dos cômodos da casa, inclusive no quarto de Suzanna.
Fui até um dos seguranças que sempre acompanhava o meu marido.
— Bom dia, sabe onde está o senhor Blanc?

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