Noah continuou de olhos fechados, mas um leve sorriso se formou em seus lábios. Fiquei ali, ajoelhada em frente ao sofá, com o rosto tão perto do dele que a única coisa em que conseguia pensar era no gosto daquela boca.
Ele abriu os olhos devagar.
Não parecia sono nem confusão. Ao contrário, Noah avaliou cada detalhe do meu rosto, da minha roupa, da ousadia de estar ali.
— Uma camiseta do Guns? No meu escritório?
Abaixei a cabeça tentando conter o sorriso.
— Meu marido me deu de presente.
— Então é casada, senhorita Aura?
Respirei fundo e mantive o jogo.
— Por enquanto, sim.
Eu esperava um grito, a expulsão, até o deboche sobre a noite que ele passou com a minha irmã. Nada veio. Noah soltou o meu braço e tirou uma mecha do meu cabelo que havia se soltado.
— Trouxe café. Você não comeu de manhã. Também tem remédio para dor de cabeça.
Falei recitando o argumento que já tinha criado em minha mente antes de entrar. Não puxei o braço.
Queria que Noah entendesse que eu não estava mais disposta a implorar por atenção.
Ele se sentou devagar e, para minha surpresa, não fez nenhuma piada sobre o carrinho de café.
Fiquei feliz por aquilo e me achei patética em seguida.
Por mais que eu mostrasse força, o simples fato de Noah ter gostado do café me fez ficar feliz.
Os olhos dele foram direto para a porta entreaberta.
— Feche a porta.
Fiz o que ele mandou.
Agora a sala da presidência não era mais o local de decisões estratégicas. Tinha se tornado um lugar em que a garota de camiseta de rock antigo servia café para o marido.
Voltei para perto dele sorrindo por essa constatação, mas ele não pareceu pensar o mesmo.
— Está feliz demais, Aurora. Posso saber o motivo? Devo agendar outro exame ginecológico? Talvez um por semana.
— Não é necessário. Meu marido não dorme comigo.
Noah pegou o copo de café e tomou um gole longo. Não me respondeu nada. O maxilar dele estava tenso. Os cabelos bagunçados e, ainda assim, aquele homem era o centro do mundo.
Tentei continuar a conversa.
— O café está do jeito que você gosta?
— Não. Prefiro o que Karina faz todos os dias, mas como só tem você aqui, terá que servir.
Quase ri por dentro ao me lembrar que não apenas era eu quem fazia o café como, algumas vezes, eu cuspi na xícara antes de servi-lo.

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