Noah me ergueu pelos ombros e, quando fiquei em pé, nossos olhos se cruzaram.
Fiquei olhando como os lábios dele se moviam de um jeito quase imperceptível, o relevo no pescoço se moveu quando ele engoliu a saliva.
— Por que faz isso, Aurora?
— Não fiz nada.
Noah segurou meu queixo e meus olhos se fecharam sem que eu pudesse controlar aquela reação.
Senti a respiração dele acariciando meus lábios.
E, quando ele finalmente me puxou forte pela cintura, eu gemi com o choque. Uma tosse chamou nossa atenção.
Suzanna estava rastejando como se não pudesse ficar em pé. A tosse soava estranha, os cabelos molhados estavam colados no rosto. A maquiagem borrada.
Mas a cena era forte demais para o que realmente tinha acontecido. O cloro foi na nuca de Suzanna. A descarga rápida, era uma lição e não uma tentativa de homicídio como ela fez parecer.
— F...fo... foi ela! Ela tentou...
Coff... coff... coff...
— Ela tentou me matar. Jogou na minha boca.
Suzanna ficou em pé enquanto Noah a observava como se decidisse o que era real e o que era mentira naquilo tudo.
Mas então ela caiu.
O desmaio foi tão real que até eu corri para perto da minha irmã.
Noah a pegou no colo e gritou comigo.
— Que droga você fez, Aurora?
Ele subiu as escadas carregando Suzanna nos braços e então ela abriu os olhos e sorriu para mim.
— ELA ESTÁ FINGINDO!
Gritei como se fosse minha única defesa e, por um minuto, Noah acreditou em mim. Sacudiu Suzanna, chamou por ela, mas minha irmã manteve o corpo mole e os lábios abertos.
Ele ficou no andar superior com ela por algumas horas.
Retirei a mesa, limpei os banheiros, arrumei a cozinha e apaguei tudo. Provavelmente dormiriam juntos.
E eu não deveria me importar, afinal de contas eu estava decidida a ir embora até que a situação do meu pai me obrigasse a ficar.
Subi as escadas pensando em como falar com Noah sobre o hospital. Coloquei a mão na maçaneta da porta e lembrei do que quase tinha acontecido entre nós.
— Fala sério, Aurora. Não pensa nele. Se valoriza, minha filha!
Tentei me aconselhar.
Mas meu coração quebrou assim que abri a porta e vi Noah sentado na beirada da cama que tinha sido nossa enquanto Suzanna segurava a mão dele.

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