Ele estava ali.
Fingindo que me ajudava enquanto planejava me internar em um sanatório qualquer para poder viver o grande amor.
Isso era doentio demais até para Noah Blanc. Mas decidi que, se ele era louco, eu também podia ser.
Meu corpo inteiro estava tremendo. Deslizei o dedo pela tela, tirando a caixa de e-mail de Noah de evidência, e sorri.
— Pedi mariscos. Você gosta?
Passei a mão de leve no rosto dele e fiquei nas pontas dos pés para roubar um selinho.
Noah paralisou. Ficou sem nenhuma reação por alguns segundos até segurar firme a minha cintura e me beijar de um jeito profundo.
Fechei os olhos, mas não senti nada. Cada movimento da minha língua era calculado para acompanhar o dele.
— Magricela... eu...
Ele começou alguma coisa, mas simplesmente desistiu de terminar. A respiração estava sem compasso.
Colocou a mão no meu pescoço, por trás da minha orelha, e ficou me olhando com um sorriso que até poucos minutos antes teria me feito suspirar.
Agora eu sabia que Noah Blanc jamais seria meu aliado; ele era o inimigo com quem eu dividia a cama, e saber jogar era a minha única saída.
— Se continuar me olhando assim, eu vou desistir do jantar.
Noah franziu a testa como se olhasse para um milagre. Alguns segundos, só até Suzanna perguntar se eu tinha pedido mariscos para ela também.
— Eu amo frutos do mar. Pediu bastante?
Olhei para trás e, por um instante, me peguei admirando a beleza de Suzanna. A pele quase rosada embaixo da camisola branca com rendinhas no babado, os cabelos claros em ondas despretensiosas e os olhos tão brilhantes que pareciam de uma boneca.
Era óbvio que Noah jamais a trocaria por mim.
— Claro, Suzanna. Eu nunca esqueceria de você, minha irmã.
Ela também ergueu as sobrancelhas e me olhou meio de lado, procurando a armadilha.
Noah segurou a minha mão e me levou até a mesa. Quando a comida chegou, ele olhou para Suzanna.
— Vá buscar.
— Eu não estou vestida.
— Nunca pareceu se incomodar com quem te visse nua. O entregador vai gostar.
— Noah, eu não vou sair assim.
— Se não pegar, não come.
Suzanna correu para o quarto, xingando o ex-noivo de nomes que nem mesmo eu seria capaz de criar.
— Eu pego.
Falei, pensando em evitar mais conflito, mas ele me sentou outra vez e beijou minha testa.
— Você espera aqui. Vou buscar o nosso jantar.
Noah voltou alguns minutos depois, deu uma olhada para mim como se conferisse se eu não tinha fugido e foi para a cozinha, segurando as sacolas de papel.
Os barulhos chamaram minha atenção.
Parecia uma guerra doméstica; pensei que talvez ele estivesse matando um rato, ou algo assim. Corri para lá.
Encontrei o chão imundo com a mariscada, Noah com a camisa manchada, segurando um pano de limpeza, e algumas tigelas de inox espalhadas por todo canto.
Ele me olhou de um jeito que quase me derreteu.
— Aceita jantar fora? Conheço um restaurante mediterrâneo que tem os melhores mariscos da cidade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Errada do Bilionário Casada por Vingança