— Você é nojento!
— Não achava isso quando se esfregava pelada em mim a noite toda.
— Eu...
Queria dizer que nunca tinha feito isso, mas ele estava certo. Acordei colada a Noah dezenas de vezes.
Ele sorriu quando percebeu minha frustração.
— Termina, Aurora. Você me achava nojento quando queria me usar para se vingar da sua família, ou quando gozou nos meus dedos, estava com nojo quando me implorou para eu te foder?
Eu me afastei de Noah antes de responder.
— Não! Eu não te conhecia. Agora te conheço e odeio o que vejo. Mas vou fazer o que quer.
Noah travou o maxilar com tanta força que vi os músculos do rosto bonito ganharem contorno.
— Foi por isso que pediu para o seu pai cancelar o nosso casamento?
— O quê? Eu não fiz isso! Quer saber? Já estou cansada de explicar coisas que você não vai acreditar mesmo. Então fiz!
— Isso você fez. Pode não se lembrar, mas fez.
Era mais uma acusação absurda. Estava sendo acusada de pedir ao meu pai para cancelar algo que ele mesmo tinha me obrigado a fazer.
— O que quer é transar comigo e que eu finja que gosto, por mim tudo bem, Noah. Posso ver meu pai agora?
Ele concordou com um movimento leve de cabeça. E indicou a dois homens que me acompanharam até a sala de vidro. Passei por um processo de descontaminação antes de poder entrar.
Precisei usar máscara e touca, no entanto, a reação do meu pai foi a única coisa boa naquele dia.
Ele arregalou os olhos e quase sorriu. Mas, em seguida, segurou a minha mão chorando.
— Desculpa, filha. Perdão.
— Está tudo bem, pai.
— Não. Não quero morrer sem o seu perdão, Aurora.
A voz dele estava fraca e com um ruído estranho que soava como se o ar vazasse por algum lugar que não a boca.
— Pai.
— Diz que me perdoa, filha.
— Eu te perdoo, pai. Descansa.
— Eu não devia ter deixado a Solange fazer aquilo. Preciso falar com o seu marido, filha.
Olhei pelo vidro e Noah estava falando ao telefone com a expressão nervosa. Parecia estar gritando com alguém.
— Deixa ele. Noah está ocupado e vai ficar tudo bem. Vamos nos separar. Ele concordou. Vai se casar com a Suzanna.
— Com a Suzanna?
— Isso, agora descansa.
Meu pai tentou falar algo, mas ficou agitado.
— Não... eu preciso...
Tentei segurá-lo, mas ele continuou tentando falar e se levantar. Um tubo escapou e o sangue me deixou em pânico. Os médicos apareceram do nada e um enfermeiro segurou meus braços para que eu não voltasse para perto do meu pai.
Tudo estava uma loucura, mas, assim que o enfermeiro me puxou para fora da sala envidraçada, a voz de Noah cortou o espaço.
— Solta a minha mulher.
A forma como Noah disse aquilo e passou o braço pelos meus ombros pareceu fazer tudo se encaixar. O medo não sumiu, mas eu me sentia segura.
Abracei meu marido e chorei enquanto ele continuou acariciando os meus cabelos e me manteve colada a ele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Errada do Bilionário Casada por Vingança