Helena queria conversar, mas eu já não queria saber.
— Não importa, Helena. Eu não ligo.
— Senhora, o patrão comprou um apartamento para a sua irmã. Eles se encontram lá.
Meu coração disparou. Ficou tão rápido que tudo começou a girar ao meu redor. Então era isso. Noah não tinha resolvido o problema, tinha escondido.
— Eu não me importo, Helena.
Falei apesar de cada palavra denunciar o que eu estava sentindo. Levantei daquele sofá e corri para o quarto sem olhar para o rosto de Helena.
Tranquei a porta ofegante, deixei as costas escorregarem pela madeira até que meu corpo encontrasse o chão de madeira.
As lágrimas caíam no piso e um enjoo terrível trouxe um gosto amargo para minha garganta. Corri para o banheiro e vomitei um líquido viscoso.
Limpei a boca com as mãos tremendo.
Helena tinha acabado de estilhaçar o pouco que restava da minha sanidade.
Um apartamento. Ele não expulsou Suzanna.
Noah a instalou em um ninho privativo, longe dos meus olhos, mas onde ele tivesse total acesso a ela.
Levantei meio tonta.
Fui até o espelho e a imagem não era a que eu via.
Olhos vermelhos, pele pálida, o cabelo grudado na testa.
Liguei para o meu marido, porque para mim ainda éramos casados. Eu precisava ouvir a voz dele. Precisava que ele mentisse ou que confessasse, qualquer coisa que desse um nome ao abismo que me consumia.
Disquei o número de Noah. O toque chamou uma, duas, três vezes. Meu coração batia desordenado.
No quarto toque.
— Noah?
Só uma respiração me respondeu.
— Noah não pode falar agora, Aurora.
A voz de Suzanna fez a minha respiração desaparecer completamente. Eu não conseguia pensar em nada, só na dor da confirmação.
— Onde ele está? Preciso falar com ele.
— Eu já disse. Ele está ocupado. Muito ocupado.
Ouvi o sorriso baixo e debochado dela antes que ela continuasse.
— Sabe como é, ele teve um dia estressante. Ele precisava de... descompressão.
— Suzanna, eu juro que se você não passar esse telefone...
— Você vai o quê? Gritar? Chorar? Noah nem lembra que você existe. Por que você não faz o mesmo e vai dormir?
Um barulho estranho surgiu ao longe, uma madeira batendo ou algo assim. A voz de Suzanna surgiu em seguida.
— Shhiiii... Eu estou resolvendo uma pendência.
A ligação caiu. Fiquei parada, o celular ainda colado à minha orelha, ouvindo só o silêncio.
As palavras de Helena, o apartamento, a voz de Suzanna.
Tudo se encaixou com a dor de uma batida de frente com um caminhão desgovernado. Noah não estava apenas escondendo a minha irmã, ele estava vivendo o casamento que foi tirado dele por um escândalo.
Pagando pelo meu silêncio com mentiras.
Tomei a pior decisão.
Depois de um banho comecei a investigar. Acessei os arquivos da empresa, achei óbvio que se Noah havia levado Suzanna para algum lugar certamente seria para um dos imóveis dos Blanc.
A lista era imensa. Tracei um limite razoável de distância.

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