Jordan Blanc.
A lenda por trás do sobrenome mais temido do país.
E ele queria falar comigo.
— Senhor, eu… eu.
— Entre, Aurora Swtz. Essa casa sempre foi sua.
— Minha? Senhor, eu preciso encontrar o Noah. Sei que está bravo, mas…
— Nunca disse que estava bravo. Entre.
A voz dele era pesada como a de Noah. Quase como se soubessem que o mundo não tinha outra saída além de se curvar a eles.
— Sim, senhor.
Entrei apesar de saber o que aconteceria.
Jordan Blanc havia escolhido uma nora e não era eu.
Foi forçado a me aceitar depois do filho descobrir que tinha sido traído.
O casamento comigo foi uma catástrofe. O exame que eles mesmos me obrigaram a fazer vazou para a mídia e o nome dos Blanc se tornou piada.
Ele estava ali para me forçar a assinar. Com certeza.
Sentei no sofá que praticamente já conhecia o formato do meu corpo.
Esperei pelo meu marido muitas e muitas vezes sentada naquele mesmo lugar.
— Não se lembra mesmo de mim, Aurora?
O senhor que lembrava muito o ator que protagonizou Aquaman perguntou com estranheza.
E eu respondi com o mesmo tom.
— Não, eu deveria lembrar?
A risada grossa e quase irônica me tirou da rebeldia que construí para me defender.
— Claro que sim, Aurora. Eu te segurei no colo. Continua pequena demais para a idade que tem. Sua mãe também era assim.
De repente todo mundo parecia conhecer minha mãe. Menos eu.
— Conheceu minha mãe?
— Claro! Seu pai e ela eram meus amigos. Tínhamos o acordo de casar nossos filhos.
Respondi sem pensar direito no peso daquela informação. Só me defendi.
— Sei disse, senhor Blanc, mas como deve saber a mulher que escolheu para casar com o seu filho é uma vadia. Então o que tem sou eu e não vou assinar o divórcio se é isso que pretende me obrigar.
Meu sogro ergueu as sobrancelhas grisalhas e me encarou com o sorriso de quem olha uma aberração.
— Eu escolhi você, Aurora. Nunca foi ela. Deveria ser você a esposa do meu filho. Noah e você eram amigos.
— Mas …
Eu me lembrava de Jordan e uma mulher elegante negociando o casamento de Noah. Eles chamaram Suzanna.
— Então como?
Na minha cabeça parecia a melhor forma de perguntar sobre algo tão bizarro quanto o que eu estava ouvindo.
— Quando a sua mãe morreu, Antônio se casou com Solange. Você adoeceu, não se lembra?
Eu não me lembrava de nada. Sabia que Suzanna não deveria estar ali, mas não me lembrava de médicos ou hospitais.
— Não.
— Você passou a agir estranho. Fui te visitar algumas vezes. Se tornou agressiva. Mordia qualquer um que se aproximasse.
Morder parecia demais. Eu estava sem calcinha, sentada no sofá da minha ex casa, pensando se meu marido realmente me amava.
E do nada um velho lindo começa a afirmar que eu era uma criança com transtornos.
Aquele dia não tinha como ficar mais confuso.
— Senhor Blanc. A sua história pode até ser bastante interessante. Mas muda o que no presente?
Falei mais porque eu precisava fugir daquela situação do que porque de fato não me interessava.

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