Noah me segurou mais forte, afundou o rosto na curva do meu pescoço e puxou o ar dali como se quisesse roubar de mim o oxigênio que lhe faltava.
— Foi... Magricela. Eu não estava aguentando mais.
Levantei com tanta raiva que nem olhei o que estava fazendo. Pisei na perna de Noah e quase caí de volta.
Ele me segurou.
— Cuidado, Aurora.
— Solta.
— Você não assinou. Ainda é minha mulher.
— Não sou nada sua. Você não quis que eu fosse. Preferiu a Suzanna e tudo bem.
Noah me olhou meio de lado.
— Do que você está falando?
— Eu sei do apartamento!
— Andou me vigiando, Aurora? Não gosto que me controlem.
— Não te vigiei. Parece que você não se esforçou o suficiente para esconder, né? Tanto que ela atendeu o seu telefone!
— Quem atendeu meu telefone, Aurora?
— Suzanna.
Noah finalmente terminou de se levantar. Arrumou a roupa sem olhar para mim.
— Não vou por esse caminho com você. É minha mulher e eu te quero na nossa casa. Vai precisar confiar em mim se quiser esse casamento.
— Eu não quero!
Os olhos de Noah pareceram confusos por um segundo.
— Então terminou com o Erick e não aceitou as investidas do John por que motivo?
Ele era um idiota. Um imbecil lindo e que fazia perder o ar, mas ainda assim o maior boçal com quem eu já tinha conversado.
— Eu não podia ser acusada de traição durante o processo de divórcio. Ou perderia os meus direitos como senhora Blanc. Já recebeu o novo acordo da minha advogada? Eu quero a metade! Não quero sua pensãozinha.
Blefei, nunca tinha sequer lido aquele acordo, muito menos contratado uma advogada para cuidar de um assunto que eu queria esquecer.
Noah não pareceu ser atingido como eu imaginei.
— Nem leu, né?
— Claro que li! E acho que deveria se envergonhar de ser tão mesquinho.
— Tá certo, Aurora.
Noah se abaixou e pegou a minha calcinha do chão. Estiquei a mão. Ele cheirou, os olhos fechados, a pele ainda brilhando pelo suor que tínhamos dividido.
— Quer isso aqui?
— Me dá, Noah!
Ele sorriu com ironia. Colocou minha calcinha no bolso do paletó e foi em direção à porta. Destrancou como se fosse dono daquele lugar.
— Vem pegar.
— Noah, devolve isso!
Ele saiu e eu fiquei sem saber como reagir. Dei dois passos e a umidade escorreu pelas minhas coxas. Corri para a cabine e me lavei com a ducha higiênica.
Estava sensível e o jato de água quente me fez pensar em Noah, no desespero dele pelo meu corpo, na sensação boa daquele abraço.
— Droga!

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