Ele sabia que eu diria sim.
Para Noah eu não era alguém que escolhia ficar ou partir.
Senti medo de me ver com aqueles olhos.
— Acabou de transar comigo algemada a uma poltrona.
Noah me olhou com dor por um instante. Tirou as algemas e se afastou em silêncio.
— Vai me ignorar, Noah? Estuprou a mãe do seu filho em um avião cheio de estranhos.
— Vou me casar com você.
— Se isso significasse alguma coisa para mim eu teria ficado. Eu não quero ser sua mulher.
— Está mentindo!
— Não, não estou. Você é podre, Noah Blanc! Eu quis ser sua mulher e você me humilhou por meses, me traiu, levou Suzanna para dentro da nossa casa, depois a mãe da sua filha para a empresa. Você é um lixo e eu não quero que meu filho tenha você como exemplo de homem.
Ele se afastou e voltou para perto da garrafa. Dessa vez Noah não serviu a bebida. O copo foi deixado de lado, ele virou o uísque bebendo direto do gargalo.
Fiquei quieta. Esperei pelo pouso. Não sabia o que estava acontecendo, nem onde Suzanna tinha ido parar.
Quando o jato pousou um carro já nos esperava. O motorista me olhou com pena.
— Eu sinto muito pela sua perda, senhora Blanc.
Olhei para Noah procurando por respostas, mas ele simplesmente me ignorou.
Colocou a mão sobre a minha cabeça e pressionou para que eu entrasse no carro.
Na mansão a frieza de sempre se repetiu, mas dessa vez as pessoas que estavam ali para me vestir e maquiar agiram com doçura.
— A senhora gostaria de tomar um banho, antes?
Noah corrigiu a moça.
— Estamos atrasados. Faça o que precisa ser feito e vamos.
O processo não demorou. Em menos de três horas eu estava usando um vestido de noiva, cabelos presos por uma tiara de esmeraldas e sapatos de salto.
A maquiagem também não estava exagerada, mas a fala do motorista ainda ecoava em minha mente.
— Noah, o que aconteceu com o meu pai?
Ele colocou o copo sobre a bancada de vidro e me encarou.
— Nada. Eu prometi a você que cuidaria dele, por que acha que eu estava mentindo?
— Então do que o motorista estava falando?
— Da sua irmã, Aurora.
— Suzanna está morta?
— Sim. Ela tentou fugir da polícia. Jogou o carro de uma ponte.
A notícia cortou o meu peito. Por mais que ela tivesse sido o meu pior pesadelo, ela também era a minha irmã.
Talvez o sangue realmente seja mais grosso do que a água. Porque eu a amava. Ainda que não fosse capaz de assumir isso.
Eu a amava.
— O meu pai sabe?

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