Noah e eu olhamos juntos para trás.
Os flashes das câmeras quase me cegaram, todos queriam uma imagem do suposto amante da senhora Blanc.
Erick estava lá.
O terno impecável, os olhos transbordando raiva e a pele bonita com um tom avermelhado que mostrava que a conversa que tivemos no avião não havia o convencido.
Noah girou o corpo devagar sem soltar o meu pulso.
— Pretende fazer o que para me convencer a soltar, Erick?
— Sou grato ao que fez por mim, senhor Blanc, mas não vou permitir que maltrate a Aurora.
As conversas entre os funcionários do Grupo Blanc quase me enlouqueciam. Eu queria saber o que estavam cochichando, queria que Erick fosse embora, queria desaparecer.
Noah puxou o meu pulso com força fazendo o meu corpo se colar ao dele. Curvou o corpo e sussurrou no meu ouvido com a voz ameaçadora.
— Se você se mover vai passar o resto da vida se arrependendo disso.
Depois ele foi até Erick.
Eu olhava para o meu amigo implorando internamente para que ele desistisse daquela loucura. Noah não estava me ferindo. Embora todos que olhassem de fora, desde o primeiro momento, pudessem entender assim.
Nosso casamento sempre foi estranho, mas nunca foi doloroso.
Erick perguntou alguma coisa que fez Noah erguer um dos dedos.
O movimento quase imperceptível para todos fez com que o meu coração parasse.
Corri para perto deles.
— Noah, não. Por favor, não!
Os seguranças já estavam quase nas costas de Erick quando Noah apenas olhou para eles.
Toda a agressividade simplesmente cessou.
Era esse o tipo de poder do meu marido. Ele controlava o mundo com um olhar.
E talvez fosse por isso que a ideia de não me controlar o desesperava.
— Disse para não se mover, Aurora.
— E você disse que se casaria comigo do jeito certo dessa vez. Vem!
Erick nos olhou descrente.
— Quer se casar com esse cara, Aurora? Não precisa fazer isso, entende?
Olhei para Erick sem saber como explicar que Noah Blanc não era o meu dono.
Era o homem que eu tinha escolhido amar, a pessoa que fazia meu coração parar e ressurgir apenas por existir.
— É o que eu mais quero nesse mundo, Erick.
Noah também pareceu confuso, olhou para mim e em seguida passou o braço em torno da minha cintura.
Puxou meu corpo para o dele até que não houvesse nenhum centímetro que nos separasse.
— Quer casar comigo, senhora Blanc?
— Quero muito, Noah.
Por um instante, todas as coisas ruins tinham desaparecido. Caminhamos juntos até uma espécie de púlpito.
Os convidados olhavam sem saber ao certo o que estava acontecendo ali.
Repórteres se dividiam em teorias.
Jordan Blanc estava sentado na primeira fileira com a expressão fria de quem analisa cada ato de uma pessoa com o peso de crítico profissional.
Mas aí, ao meu lado, Noah segurava o meu corpo espalhando por cada uma das minhas células a ideia de que a esperança não é uma ilusão.
— Vamos apenas assinar?

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