Suzanna estava machucada e meu marido tinha sumido de novo.
— O que aconteceu com você?
Eu não queria acusar uma pessoa ferida, mas a verdade era clara. Noah era a única pessoa além de nós duas que estava na casa durante a noite.
Para piorar, aqueles ferimentos pareciam combinar com sexo e não com agressão.
— O que acha que aconteceu, Aurora?
— Se eu soubesse não estava perguntando.
Precisava ser firme. Estava falando com Suzanna e eu sabia na pele que minha irmã podia ser tão perversa quanto um demônio.
— Não adiantaria falar, você só enxerga o que quer, Aurora. Preciso sair daqui e foda-se se pretende ficar e ser a escrava desse doente.
Suzanna se levantou depressa e caiu em seguida. Ajudei minha irmã a se levantar, não sabia o que estava acontecendo, mas parecia real. Ela estava ferida, os olhos assustados e úmidos.
— Não tem para onde ir, Suzanna. Vai andar no meio do mato sozinha? Chegaria onde?
— Não importa. Eu dou um jeito, só não posso ficar aqui.
Entendi aquilo como manipulação, achei que ela voltaria assim que chegasse à porta. Parecia muito óbvio.
Afastei o corpo e indiquei o caminho com a mão. Copiei os gestos que havia aprendido com Noah.
— Vai mesmo ficar aqui, inseto? Ele vai acabar te matando.
— Não sou eu quem está marcada. Eu estou ótima.
Fingir força era a minha especialidade, mas quando vi Suzanna realmente sair e se afastar da casa correndo eu senti meu coração disparar e as perguntas surgiram em uma correnteza imparável.
Ela estava falando a verdade? Noah realmente tinha feito aquilo durante à noite? Por que eu não acordei com os gritos?
Olhei pela janela do quarto até o momento em que ela sumiu entre as árvores.
Pensei em segui-la, mas enquanto ainda olhava com a mente perdida eu vi Noah saindo de uma espécie de galpão que ficava colado ao rio.
Ele estava com um machado apoiado no ombro, o peito nu e os cabelos desgrenhados. Nunca imaginei que um homem de negócios pudesse combinar tanto com o campo.
— Noah!
Gritei, a sensação de que precisava impedir que ele fosse atrás de Suzanna me controlou. Talvez para protegê-la ou para cuidar do que eu sentia por ele, não sei.
Noah olhou para o alto, virou de leve a cabeça e soltou o machado na terra como se esperasse pela conclusão.
— Fiz café!

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