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A Esposa Errada do Bilionário Casada por Vingança romance Capítulo 76

Os dias no casarão passaram leves.

Noah chegava à tarde para tomarmos café juntos, falávamos sobre coisas bobas, quase como se ele quisesse me fazer esquecer o horror que tínhamos vivido.

Ele queria que eu tivesse paz, mas se torturava dia após dia.

Entrei no escritório dele pouco antes do horário de Noah voltar para casa.

Olhei para uma caixa enorme que estava sobre a mesa de madeira.

Eu não entrava ali.

Noah dizia que estava reformando e que o cheiro podia me fazer mal. Tinha entrado naquela tarde justamente para procurar um pincel.

Queria usá-lo para tirar a poeira do friso da janela.

Mas, ao contrário do que Noah tinha afirmado, não havia nenhuma reforma no escritório que ele mantinha trancado e que Isabella me deu a chave, apesar da ordem de Noah.

Abri a porta sem medo, mas meu coração disparou assim que meus olhos pousaram na caixa repleta de ursinhos rosas.

— Isabella?

— Entre, senhora.

— O que é isso? Por que o meu marido guarda essas coisas aqui?

— É a verdade. A senhora precisa falar com ele. Dizer que o senhor não está sozinho. Ele sempre volta, todas as noites, e meu quarto é aqui embaixo. Ouço os soluços, as coisas que ele fala.

Caminhei até a caixa e tirei de lá vários macacões infantis, ursinhos, mamadeiras cor de rosa e uma quantidade enorme de chupetas. Tudo novo, mas com as embalagens já meio gastas dos toques de Noah.

Acho que, sem perceber, eu fiz o mesmo.

Sentei na poltrona de couro e abracei um macacãozinho bordado. A frase me atingiu no peito como uma facada.

Papai estava ansioso com a minha chegada.

Naquela tarde, quando Noah chegou, eu não estava esperando por ele. Chorei até sentir que as minhas forças tinham saído com as lágrimas. Fui para o quarto e adormeci depois de um banho demorado.

Não queria que Noah me encontrasse chorando e, se eu tentasse ficar para o café da tarde, ele notaria meus olhos inchados.

Acordei com uma sensação estranha na nuca.

Minha pele estava formigando. Passei a mão no meu cabelo e senti o peso de uma trança de quatro mechas perfeitamente alinhada. Eu não tinha feito aquilo antes de adormecer.

O cheiro de lavanda do travesseiro se misturava a um aroma de sabonete de glicerina que parecia vir do meu cabelo.

— Mãe?

A palavra que eu mal tinha aprendido o significado saiu dos meus lábios entre o sonho e a realidade.

Não era a primeira vez que alguém fazia aquilo comigo.

Meu corpo lembrava do toque firme e delicado, mas minha mente não alcançava o rosto de quem me penteava na infância. Era uma memória sem imagem.

Neguei com a cabeça. Era loucura.

Levantei devagar. A dor na barriga ainda estava ali, um lembrete constante do que eu tinha perdido.

Caminhei até a penteadeira. Sobre o tampo de madeira clara havia um pequeno frasco de vidro azulado, sem rótulo. Abri a tampa. O cheiro de rosas me fez puxar o ar mais forte.

Eu conhecia aquele perfume, só não me lembrava de onde.

Saí do quarto e encontrei Isabella no corredor.

Ela estava segurando uma pilha de toalhas brancas.

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