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A Esposa Errada do Bilionário Casada por Vingança romance Capítulo 77

Silêncios são sentenças.

Todos fingem não conhecer essa verdade universal, mas eu sabia que os olhos de Noah carregavam o desafio do que ele queria que eu soubesse.

Eu sentia o peso do olhar dele, aquela pressão que ele sempre exercia, me empurrando para o abismo e esperando que eu pulasse sozinha. Ele não facilitava. Nunca facilitava.

Era sempre aquele desafio ambulante que me excitava e irritava na mesma proporção.

— Ela é…?

A pergunta ficou presa em mim.

Dar nomes aos monstros é o que faz deles reais. Eu sabia disso. Antes de descobrir que era Suzanna que rasgava as folhas do meu caderno para que eu levasse bronca.

Tudo o que eu fazia era achar estranho.

Quando descobri a minha vontade era de devolver a provocação, chorar, gritar, denunciar… E no final, nada daquilo funcionava.

Não saber é sempre uma benção.

Mas agora eu sabia. E Noah não parecia disposto a me deixar esquecer disso.

— Termina, Aurora.

A voz dele saiu baixa, um comando disfarçado de incentivo. Balancei a cabeça negando e me afastei dele.

— Não. Não fala isso. Meu pai… ele me contou como aconteceu. Não sei o que acha que descobriu, mas você não sabe de nada sobre esse assunto.

Noah se aproximou.

Segurou meus pulsos com cuidado e subiu pelo meu braço com uma calma que me irritava, até os dedos longos encontrarem meu rosto.

O toque firme, quente, carregado de um cuidado que eu não sabia se era real ou apenas mais uma forma de me prender. Porque prendia.

A voz sempre no mesmo tom, do alto do pedestal que eu mesma o coloquei, os olhos dele pareciam brilharem para mim.

— Você já sabe, Aurora. Só precisa aceitar, Magricela.

Meu coração disparou como o de um animal enjaulado. Olhei para a porta, desejando que Isabella aparecesse e negasse tudo, que dissesse que eu estava delirando por causa da perda do bebê. Mas o corredor estava vazio. Só existia a respiração de Noah e a verdade que subia como um gosto amargo na minha boca.

— Ela... ela é a minha mãe?

Noah não disse que sim. Ele não precisou.

O modo como ele sustentou o meu olhar, sem desviar, sem piscar, foi o golpe final nas minhas defesas. Senti minhas pernas perderem o sentido. O chão sumiu, minha vida se transformou em fumaça. Noah me segurou antes que eu realmente caísse.

Sempre ele. Sempre ali para me amparar no desastre que ele mesmo ajudava a construir.

E eu o amava por isso. De certa forma eu precisava dele. Noah era o nome que eu gritei quando o medo me dominou no rancho onde meu filho foi vítima de Suzanna.

— Não pode ser... minha mãe morreu. Meu pai me contou... eu chorei por ela a vida toda. Eu sentia saudade. Dizia para as minhas amigas que ela iria voltar. Mas eu sabia que não. Eu pensava que ela estivesse viva, nunca deixaria que Suzanna fizesse as coisas que fez.

— Foi o que te fizeram acreditar.

A ideia de ser enganada durante a vida inteira me feriu como uma pedrada no rosto. Me afastei dele como se subitamente Noah tivesse se tornado o inimigo.

— Meu pai nunca faria isso. Ele me ama, Noah. Sei que parece complicado entender essa fixação que ele tem pela Suzanna, mas…

Noah soltou o ar de uma forma que parecia dolorida. Estranha. Como se ele sentisse pena da minha ignorância que ao mesmo tempo não tivesse a menor ideia de como me tirar de lá.

— Seu pai não só faria, Aurora... como fez. Ele a internou. Tirou o nome dela, a identidade, o passado. Tirou você do colo dela e colocou uma lápide vazia no lugar. Foi isso que viu naquele e-mail, eu tentando descobrir cada um dos detalhes sujos do que eu já desconfiava.

Meu estômago revirou. Lembrei da casa silenciosa da minha infância, da ausência de fotos, das respostas curtas e de como meu pai evitava as minhas perguntas sobre ela. Tudo era uma farsa.

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