Meus passos pesaram como se eu estivesse prestes a retirar o véu do tempo.
Fui até o quarto em que Isabella estava passando as toalhas.
Ela dobrava de uma forma diferente, colocando uma pontinha dentro da outra parte.
Aquilo formava uma espécie de pacotinho.
Sentei ao lado dela.
Peguei uma toalha e refiz o gesto.
Ela parou olhando para mim com uma estranheza que quase me fez sorrir.
Disfarcei e continuei fingindo que estava concentrada nas toalhas.
— Onde aprendeu a dobrar toalhas assim, senhora Blanc?
— Com a minha mãe. Ela me ensinou a fazer isso com as minhas bonecas. Disse que assim os bebês ficam quentinhos e seguros.
Isabella parou o ferro quente no ar. A frase, que era uma das poucas que eu guardava da minha mãe, também parecia tocá-la.
Mas, em seguida, a senhora continuou o trabalho.
Deixei os olhos nos cabelos longos e escuros que caíam sem forma até o meio das costas da mulher que Noah acreditava ser minha mãe.
Eu me reconhecia ali.
Puxei o ar e continuei dobrando as toalhas. Perguntei segurando minha emoção.
— Você tem filhos, Isabella?
Ela colocou o ferro no suporte e olhou pela janela como se buscasse a memória no horizonte.
Respondeu sincera.
— Eu acho que sim. Não lembro de muita coisa, senhora. Mas, às vezes, no sanatório eu acordava abraçada a um pacotinho como esses que está fazendo. Eu queria cuidar dele. Nunca conseguia. Sempre vinham mais remédios e eu desligava de novo.
— E agora que está livre não pensa em procurar pelo seu pacotinho?
Eu já estava chorando, mesmo controlando os soluços, as lágrimas corriam soltas e minha voz acabava denunciando o aperto no meu peito.
Isabella não falou sobre ela. Se abaixou na minha frente e segurou minhas duas mãos.
— Não fique assim. O senhor Blanc te ama e ainda vão encher essa casa de filhos. Vou ajudar a cuidar de cada um dos pacotinhos que trouxerem ao mundo.
Puxei o ar.
Voltei ao assunto, precisava que ela se lembrasse de mim.
Não queria que fosse para sempre uma dúvida.
Apertei os dedos dela entre os meus com mais força do que pretendia, como se tivesse medo de que Isabella desaparecesse se eu soltasse.
— E se esse pacotinho não tivesse se perdido? Se estivesse aqui, em algum lugar.
Ela franziu a testa, sem entender.
Os olhos ainda eram gentis, ainda eram dela, mas havia um vazio que me desesperava.
— Como assim, senhora?
Minha garganta queimava. Aquela mulher que estava me chamando de senhora podia ser a minha mãe.
— E se ele estivesse aqui… na sua frente?
Tudo ao nosso redor se tornou pesado e denso, como se o ar estivesse carregado de passado e não pudesse ser respirado sem que as feridas voltassem a sangrar.
Isabella não puxou as mãos de volta.
Mas também não respondeu.
Os olhos dela começaram a percorrer o meu rosto com mais atenção, mais devagar, como se estivesse tentando encontrar alguma coisa que não sabia exatamente o que era.
— Por que está me perguntando isso?
A voz dela saiu baixa, confusa. Não era defesa, nem recuo, só um incômodo crescente.
Senti o coração acelerar com a ansiedade. Cada batida parecia empurrar a verdade para fora de mim.
— Porque você não perdeu um pacotinho.
Minha voz falhou no meio da frase, mas eu continuei.
— Você perdeu uma filha, que tinha os cabelos iguais aos seus.
Isabella piscou algumas vezes, como se as palavras não tivessem feito sentido imediato.

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