Isabella também parou no meio do pátio.
Não desci.
Fiquei olhando para aquela cena estranha. O senhor apressou os passos para junto da minha mãe, mas parou quando estava a um metro de distância dela.
Não sei o que conversaram, mas vi quando minha mãe simplesmente se aconchegou no peito daquele desconhecido.
Ela parecia estar feliz.
E mais!
Parecia reconhecer aquele homem de algum lugar do passado.
Desci apressada, já não eram apenas Jordan e Noah que tinham respostas.
Talvez aquele senhor também tivesse.
— Oi.
Foi o que consegui falar. Estava sem entender o que tinha acontecido ali.
Minha mãe continuava com os olhos fechados e a cabeça colada ao peito do senhor.
Foi Jordan quem explicou.
— Eles se conhecem há muito tempo. Achei justo trazê-lo.
Noah cumprimentou o pai com aquela frieza de sempre.
Eles se amavam e se respeitavam, mas também se repeliam.
— Vamos para o escritório, pai.
Tentei reagir, dizer que precisava de respostas, mas, de repente, fui deixada sozinha por todos.
Minha mãe também saiu para caminhar com o desconhecido que ela parecia reconhecer.
Fiquei com raiva.
Eu era a filha dela. Ela deveria ter me reconhecido e não a um velho qualquer.
Fiquei parada no pátio até decidir ouvir atrás da porta.
O ridículo pareceu minha única saída.
Dentro do escritório, Jordan dava detalhes sobre coisas que Noah parecia não se importar.
— Solange e Antônio estão juntos de novo. E a empresa vai acabar caindo se não fizermos nada.
— Não vamos fazer nada. O rato só cai na ratoeira se sentir que é fácil pegar o queijo.
— Vai destruir milhões de dólares apenas para provar que pode, Noah? Isso é infantil, assim como foi infantil tirar Isabella do sanatório. Ela era a isca perfeita.
— Esse é o problema. Você tem mania de tratar pessoas como lixo. É a minha sogra, não uma isca.
— Se não tivesse deixado Suzanna escapar, o amante dela teria aparecido. Teríamos pegado todos. Inclusive a velha.
— Eu acho que já paguei o preço por esse erro. Não basta o sangue do seu neto, pai?
A dor na voz de Noah me matava também, mas, aos poucos, fui compreendendo que ele estava assumindo tudo no meu lugar.
Jordan não sabia que eu havia sido a responsável pela fuga de Suzanna.
Ouvi e me calei.
Naquela noite, eu não fiz perguntas e, quando Noah entrou no quarto, eu já estava dormindo.
Foram vários dias assim.
Noah e Jordan se escondendo entre cômodos, paredes e árvores.
Isabella e o amigo de infância rindo e brincando pela casa.
Eu parecia ser a única realmente incomodada com algo.
Mas isso também passou.
Era final da tarde quando eu terminei o banho. Noah estava na cozinha preparando algo para nós dois com aquela concentração que sempre me prendia.
Desde o aborto, não tínhamos nos tocado. Mas estava cada vez mais difícil ignorar o que existia entre nós.
Ele usava apenas uma calça de moletom baixa. As costas largas, os músculos tensionando a cada movimento.
Fiquei parada por alguns segundos observando. E lembrando.
O casamento. A convivência difícil. O ódio. O desejo. O amor que veio sem pedir permissão.
Levei a mão ao ventre e fechei os olhos. A dor ainda estava ali.
Mas eu não queria viver presa nela.
Eu queria ele.
Caminhei até a cozinha. Me aproximei devagar, envolvi os braços na cintura dele e depositei um beijo nas suas costas.
Noah sorriu antes mesmo de se virar. Quando virou, me puxou pela cintura e beijou minha testa.
— Está tudo bem?
— Sim.
Fiquei na ponta dos pés e beijei o pescoço dele. Minha voz saiu baixa, quase um segredo.
— Eu quero você.
Ele travou por um segundo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Errada do Bilionário Casada por Vingança