O silêncio de Noah pesava mais do que as palavras que ele tinha acabado de dizer.
Observei o corpo forte contra a luz da janela.
Noah não parecia apenas incomodado.
Se eu não o conhecesse, talvez chamasse aquele brilho nos olhos de medo.
Ver esse sentimento no rosto de Noah era algo muito estranho, uma rachadura na imagem de homem invencível que ele vendia para o mundo.
— Jordan ligou. Ele está vindo para cá.
Senti um calafrio percorrer minha espinha. A menção ao pai dele sempre trazia uma tempestade junto.
— O seu pai? Por que agora? Ainda não me disse por que ele levou a Suzanna para aquela casa.
— Ele soube que Isabella sumiu do sanatório. Ele não é burro, Aurora. Sabe que só eu teria audácia de fazer isso.
Noah olhou para a estrada de terra que se estendia até uma porteira bonita; ele olhava para o horizonte como se esperasse um exército.
— Ele vai tentar levar minha mãe de volta para o manicômio?
— Ele jamais tentaria isso. O problema é que meu pai não pede licença. Jordan também foi traído e isso tem um peso para os Blanc.
Levantei da cama devagar. A fraqueza que me acompanhava desde que haviam tirado meu filho de mim tinha sumido.
Foi substituída por um calor que percorria o meu corpo. Eu sentia uma força nova, uma raiva que me mantinha de pé e me dava foco.
Suzanna tinha que pagar e talvez, só talvez, no ódio as pessoas também pudessem se aliar.
— Deixa ele vir. Vamos precisar de toda ajuda que tivermos. Não quero só destruir os Swtz. Quero apagar esse nome da face da terra.
Noah se virou para mim, surpreso com a dureza da minha voz.
Ele atravessou o quarto com passos apressados e segurou meu rosto com as duas mãos.
O beijo que me deu estava carregado com uma urgência que me tirou o fôlego.
Ele sempre teve aquele poder sobre mim.
— É assim que eu te quero, Aurora. Pronta para a guerra, minha Magricela linda.
Eu estava.
Pelo meu filho, pela minha mãe e pela menina que se perdeu em uma piscina há anos, eu estava disposta a queimar tudo. Mas a imagem de Suzanna naquela casa em que Noah me levou após o casamento ainda me perseguia.
— Por que a Suzanna estava presa quando chegamos naquela fazenda?
— Foi a forma do meu pai de dizer que está do nosso lado. Um presente de casamento. Ele queria que ela falasse o que sabe sobre tudo o que aconteceu.

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