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A filha do meu padrasto romance Capítulo 208

MELISSA

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Eu estava prestes a me enfiar novamente na rotina cansativa de estudos, retomar o controle da minha vida e seguir com os planos para o futuro. No meio disso, percebi que não teria tempo para ir visitar os meus pais tão cedo. Então, eu e o Diego decidimos que o melhor era ir no dia seguinte, antes que a vida nos engolisse outra vez.

No fundo, eu queria seguir o padrão das outras visitas, entrar no carro, encarar horas de estrada, cantar desafinado no caminho e discutir com o GPS. Mas, dessa vez, a realidade era outra. O que levaria horas, passaria a levar apenas alguns minutos. Ainda era estranho para mim pensar que um helicóptero poderia encurtar tanto a distância entre a minha vida e a deles.

À noite, liguei para o meu pai. Ele atendeu com a mesma alegria de sempre, aquela voz que me abraçava mesmo sem eu estar lá.

Pai: Minha filha! Que bom que você ligou! Você anda muito sumida. Como você está?

— Desculpe, papai… Foram meses de conexão e renovo, mas agora estou bem.

Pai: Que bom, meu amor. Estamos com muita saudade. Nossas conversas estavam tão rápidas que até achei que você estava fugindo da gente.

Fiquei em silêncio. Foi impossível não ficar. Ele havia acertado na mosca. Eu estava mesmo fugindo.

Pai: Melissa… Você estava fugindo da gente?

— É que… muitas coisas aconteceram nesse período, papai. E eu não sabia o que iria acontecer. Não tinha respostas para muitas perguntas. Então, preferi fugir. Mas… é exatamente por isso que estou ligando. Amanhã eu vou aí.

Pai: Que coisa boa! Sua mãe vai enlouquecer preparando as coisas que você gosta de comer. Que horas você vem? Não vai ser à noite, né? É muito perigoso.

— Nós vamos sair daqui às 7h, e estaremos aí antes das 8h.

Pai: Espera… nós? E antes das 8h? Você já está por perto?

— Não… Mas estarei indo acompanhada.

Pai: Não é com o Rodrigo que você vem, né?

— Não, papai. Mas não fique preocupado. Quando chegarmos aí, eu respondo tudo o que vocês quiserem saber.

Pai: Ah, minha filha… o que você está aprontando?

— Eu nunca apronto nada. Cadê a sua fé em mim, coroa?

Ele riu do outro lado da linha.

— Passa pra mamãe agora?

Pai: Ela saiu pra correr.

— Ah, é mesmo! Esqueci que ela só tem tempo nos fins de semana pra isso. Mas… por que o senhor não foi junto? Tem que cuidar da saúde, hein.

Pai: Minha filha, você come miojo e não faz nenhuma atividade física. Eu sou mais saudável que você.

— Papaiii…

— Eu também estava com saudade, mamãe.

Ela se afastou, olhou para Diego e, com um tom divertido na voz, perguntou:

Mãe: E quem é você?

Diego: Eu sou o Diego, muito prazer.

Ela o cumprimentou e, em seguida, me lançou aquele olhar de mãe que dizia mais do que mil perguntas e todas elas eu sabia que teriam que ser respondidas. Antes que eu pudesse abrir a boca, meu pai apareceu.

Pai: Filha! Que alegria ver você!

Ele me abraçou e, claro, olhou para Diego com a mesma curiosidade.

— Eu sei que vocês precisam de respostas. Mas… vamos entrar?

Mãe: Claro. Espero que não tenham comido nada, porque preparamos um café da manhã para vocês.

Olhei para o Diego com aquele olhar de “Eu te disse”, e ele só sorriu.

Entramos direto na cozinha, onde a mesa estava posta como se fosse um café colonial de filme, com pães de todos os tipos, bolos, frutas, sucos, até a geleia caseira que minha mãe só fazia quando queria impressionar.

Quando nos sentamos e meus pais me encararam, percebi que não adiantava enrolar. Era hora de colocar todas as cartas na mesa, e, de preferência, sem que ninguém engasgasse com um pedaço de bolo no meio da revelação.

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