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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 108

POV: AIRYS

— Airys, levante-se. Venha. —

A voz cortou o silêncio da minha mente como um estalo. Arregalei os olhos e me sentei com tudo, o peito subindo e descendo rápido, como se eu tivesse despertado de um pesadelo que ainda não acabou.

Estava sozinha. O calor do tapete sob minha pele contrastava com o frio que se espalhava por dentro. Olhei em volta. Nenhum sinal dele.

Puxei a coberta com pressa, cobrindo meu corpo nu.

— Daimon? — chamei alto, a voz um pouco mais aguda do que eu gostaria. — Alfa? Não é nada elegante deixar uma mulher nua à própria sorte depois de uma noite como aquela...

Silêncio.

Insisti.

— Está testando minha paciência ou minha resistência ao abandono?

Nada. Nem um passo. Nenhum rosnado. Nem o maldito suspiro de provocação que ele sempre deixava escapar quando queria me tirar do eixo.

Meu corpo enrijeceu.

"Há algo errado." A frase vibrou dentro da minha mente em alerta. O corpo respondeu antes mesmo de eu entender. Meus pelos eriçaram, os músculos tensionaram. Meu instinto de sobrevivência berrava. “Não estamos sozinhas.”

Engoli em seco. Arrepios subiram pelas costas, pelo pescoço, estremecendo tudo.

— Airys… venha. — O sussurro deslizou pelo ar como se tivesse sido soprado bem no meu ouvido. Travei. Senti o arrepio subir da nuca até o couro cabeludo. Girei o corpo em um impulso, esperando ver alguém atrás de mim. Nada.

Nada. Mas eu jurei que tinha sentido o calor da respiração. A voz era grave, suave demais para ser natural. Como se tivesse sido colocada ali só para mim.

Uma rajada violenta de vento escancarou a porta da frente com violência, o som da madeira batendo me fez dar um salto para trás, o coração agora acelerando descontrolado.

Me agachei, catando as roupas do chão com pressa. As mãos tremiam. O corpo ainda lembrava o toque dele…, mas agora, era o medo que me fazia estremecer. Me vesti como se fosse questão de vida ou morte, e talvez fosse.

Saí da casa. O ar lá fora estava cortante, a tempestade se aproximava. A neblina densa e espessa cobria tudo à frente, e mesmo assim, consegui ver.

Uma silhueta. Parada à beira do penhasco.

Minha pele gelou.

— Airys… venha. — A voz de novo. Igual. Familiar. Mas errada. Como se usasse um tom conhecido para mascarar algo muito mais obscuro. Algo que me observava de perto, com olhos que eu não conseguia ver.

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