Entrar Via

A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 131

POV: DAIMON

A correnteza seguia violenta, o barulho da cascata rugia como se ecoasse minha fúria interna. Estava parado em meio às pedras, encarando a queda d’água com os punhos cerrados. Mais um dia. Mais uma noite. E nenhuma pista. Nenhum maldito rastro da minha pequena humana.

O corpo dela nunca foi encontrado. Meses se passaram. Vasculhei cidades inteiras, reduzi fronteiras a cinzas, passei por sangue e cinzas em busca de qualquer sinal de Airys. E nada.

Enquanto isso, a guerra se espalhava feito praga. O verdadeiro inimigo havia desaparecido, levando consigo a única coisa que importava: ela. Os pilares estavam ruindo. Nero e Kael estavam mortos. Suas alcateias dilaceradas. Os poucos sobreviventes se renderam, fugiram ou rastejavam nas sombras com medo do meu nome.

— Meu rei. — Symon limpou a garganta, chamando minha atenção. Ele se aproximou devagar, como se sentisse o peso da tensão no ar. — Conseguimos derrubar mais resistentes ao norte, mas ainda não localizamos o líder do ataque. Não sabemos o plano real deles.

Rosnei baixo, com a mandíbula travada. O som do rio parecia mais alto, como se quisesse me distrair da raiva que me consumia por dentro.

— Hunf... maldito. — cuspi entre os dentes, sem me virar. Meus olhos seguiam fixos na correnteza, como se ela pudesse me devolver o que perdi.

— Alfa... — Symon deu mais um passo, cauteloso. Podia sentir o cheiro do medo se misturando ao vento. — O conselho está preocupado. A guerra, os corpos, a matança sem fim... Os humanos estão se organizando, falam em armar-se. As bruxas já se isolaram, atacam qualquer Lupino que se aproxime. Já não temos valas para enterrar os mortos. Estamos afundando.

Respirei fundo, meus ombros tensionando. Estava sufocado de dentro para fora. O cheiro do sangue já não me incomodava. A fúria havia se tornado parte de mim.

— Queimei todos. — murmurei, virando devagar o rosto para ele. Meus olhos, frios, sem hesitação. — Cada um que ousou tocar em meu território. Cada maldito que se aliou ao inimigo. Eles viraram cinzas. E se depender de mim, a guerra só vai terminar quando eu tiver o desgraçado que a caçou no labirinto. Quando eu arrancar, com minhas próprias mãos, a cabeça do maldito que me tirou minha Luna!

Meus olhos brilharam com fúria. A respiração pesada. Os punhos cerrados até os nós dos dedos ficarem brancos.

— Daimon, eu compreendo sua fúria, o seu ódio. — Ele tentou argumentar, respirando fundo. — Mas estamos destruindo o nosso povo também, fazendo exatamente o que o inimigo deseja, e o solstício se aproxima... O senhor...

Avancei sem pensar, a mão agarrando seu pescoço e o levantando do chão com facilidade. Seu corpo se ergueu como se não pesasse nada.

— Alfa... por favor... — gaguejou, sufocando. Fenrir despertava em mim, rosnando logo abaixo da superfície. Feroz. Sanguinário. Querendo destruir tudo mais uma vez.

— Quer mesmo me lembrar do que acontecerá no solstício? — grunhi entre os dentes, os olhos cravados nos dele. — Eu sei o que vou perder, porra.

O arremessei contra a árvore mais próxima. Seu corpo bateu com força, o impacto ecoou pela floresta. Rugido alto. Descontrole total.

— Mais um fragmento da minha alma rompido. — cuspi com ódio. — Mais um ano em que perco o que resta da minha humanidade. Mais um ano em que Fenrir emerge e leva com ele qualquer traço de sentimento.

Me aproximei de Symon, que ainda arfava, tentando se erguer. Seus olhos arregalados denunciavam o medo que ele não conseguia esconder. Bufei, feroz.

— Eu esperei por décadas. Décadas! — cerrei os punhos, os caninos à mostra. — Quando finalmente encontrei minha companheira, a arrancaram de mim. A fizeram sentir medo, terror, dor... A manipularam para pensar que eu era seu inimigo. Malditos! Então, foda-se o conselho. Foda-se a diplomacia. Vão obedecer minhas ordens.

Dei um passo à frente, minha voz saiu grave e rasgada.

— Quero a cabeça dos culpados. Encontrem Malik. Encontrem o maldito pai de Airys. Eles vão sangrar por essas terras até me dizerem onde o maldito mandante daquele ataque está!

— Sim, senhor. — Symon se levantou devagar, assentindo, ainda ofegante. Ele hesitou por um momento antes de continuar. — E quanto à irmã dela? Ainda a manterá nas celas? Eloy... não resistirá por muito tempo àquelas condições.

— Aquela inútil empurrou Airys. — rosnei, sem piedade. — A culpou por ter perdido o seu bebê. Ela merece definhar. Que apodreça lentamente. Que sinta o gosto da mesma dor.

Minha respiração estava pesada. O ar parecia denso, sufocante. Baixei minha guarda, apenas por um instante. O seu nome ecoava na minha mente.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO