POV: AIRYS
— Empurra, querida... Isso, está indo bem. — A voz de Jaqueline era firme, mas doce, vinda de entre minhas pernas enquanto eu apertava as mãos contra os lençóis.
Arfei alto, o corpo inteiro tenso. Uma onda de dor atravessou minha lombar como se algo estivesse se partindo por dentro. Meus olhos se fecharam com força, e tudo o que consegui foi gritar.
— Droga, isso dói pra caramba! — grunhi, sentindo o suor escorrer pelas têmporas. Minhas coxas tremiam, e meu ventre pulsava, quente e pesado, como se estivesse à beira de explodir.
Colen estava ao meu lado, segurando um pano com mãos trêmulas, tentando secar meu rosto. O sarcasmo habitual sumira, e havia um brilho estranho, quase desconcertante, em seus olhos escuros.
— Não quer mesmo a anestesia? Podemos tentar uma cesárea. — Jaqueline perguntou com cuidado, observando minha expressão. — São três, Airys. Três. Ninguém aqui vai te julgar se quiser mudar de plano.
Balancei a cabeça, arfando, os lábios entreabertos em desespero.
— Não... só... se for risco pra eles. — sussurrei, mordendo o lábio até sentir o gosto do sangue. Então a dor veio de novo, brutal, rasgando meu corpo inteiro. — Merda... merda... isso tá me matando...!
— Você está indo bem, bela adormecida. — Colen disse, com um tom brincalhão suavizado por um carinho inesperado. Acariciou meu rosto com o dorso da mão, mas havia algo naquele gesto... algo que não combinava com ele. Uma ternura incômoda. — Eu tô aqui. Tá me ouvindo? Eu tô com você.
Foi ali que meu coração estalou por dentro. Um vazio cortante se formou bem no centro do meu peito. Segurei o ar e, pela primeira vez, não gritei. Me afundei no colchão, o corpo exausto, mas foi a ausência dele que mais pesou. Meu peito se apertou, lágrimas silenciosas escorreram pelos cantos dos olhos.
— Não... — murmurei, com os lábios trêmulos. — Eu... eu o queria aqui...
A sala caiu num silêncio desconfortável. Jack congelou, os olhos arregalados. Colen travou, a mandíbula cerrada, e a veia em sua testa saltou. Vi quando ele rosnou, baixinho, o som grave vindo do fundo da garganta. Ele virou o rosto, respirando fundo como se tentasse engolir um grito.
— Você só pode estar de sacanagem, Airys. — disparou, a voz ríspida, como uma bofetada. — Depois de tudo, você ainda quer aquele desgraçado aqui?

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