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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 134

POV: AIRYS

Ela suspirou pesado, os olhos semicerrados, visivelmente tentando conter o que sentia por dentro.

— Tem razão... — Jaqueline disse, seca, com a voz firme como aço. — Não o conhecemos como você. — Seus olhos encontraram os meus com dureza. — Mas sabemos exatamente do que ele é capaz quando perde o controle. Você sabe quantos pacientes já cuidamos por causa do lobo dele?

Ela negou com a cabeça, irritada, contida. Seus lábios tremiam enquanto ela voltava a se sentar entre minhas pernas, respirando fundo como se quisesse manter a calma que a situação exigia.

— Agora não é o momento para isso. — Ela falou firme, decidida. — Precisamos trazer esses bebês ao mundo em segurança. Sem distrações, sem mais drama. — Seu olhar cravou no meu, sério, tenso, dolorido. — Se você pretende colocá-los em risco depois... aí será por sua conta.

Fechei os olhos com força, sentindo meu corpo tremer. O braço foi instintivamente ao rosto, tentando esconder as lágrimas que escorriam sem controle. As contrações vinham como ondas violentas, consumindo tudo, rasgando por dentro. A dor, o medo, a ausência... estavam me afogando.

Senti a garganta apertar. O coração batia acelerado, descompassado, como se buscasse algo que não estava ali. Algo que faltava.

Daimon.

Algo dentro de mim chorava por ele, urrava em silêncio, se contorcia de necessidade. Era irracional, eu sabia. Mas era mais forte do que eu. Ele era a presença que meu corpo implorava em meio à dor, mesmo que o mundo inteiro gritasse que eu devia temê-lo.

Fechei os olhos com mais força, e então as imagens vieram... tão reais que por um momento esqueci onde estava.

Um campo de batalha. O chão coberto de sangue. Corpos retorcidos. E no meio do caos, ele.

Daimon.

Em sua forma meio Lycan, imponente, coberto de sangue, os olhos brilhando com fúria selvagem. A pele pálida contrastava com o vermelho em seu peito e braços. As garras afiadas ainda pingavam.

Mas ele estava ali... me vendo. Ou sentindo.

Sua cabeça tombou levemente para o lado, como se me localizasse, e então... farejou o ar.

— Minha pequena... — sua voz ecoou, profunda, rouca, arranhada, como um trovão contido no peito. — Por que está com medo... e com tanta dor?

Mas então outra contração veio... mais forte, mais violenta. Meu corpo se arqueou sozinho, meus olhos se abriram com força e um grito escapou antes mesmo que eu percebesse. O calor rasgava meu ventre como brasa viva. Era o anel de fogo — ardendo em meu íntimo — queimando cada nervo enquanto sentia, com clareza, a cabeça do meu primeiro filho forçar passagem.

Minhas mãos agarraram as laterais da maca com desespero. Empurrei. Arfei. Gemi. Chorei. Meus quadris tremeram e os músculos se esticaram até o limite.

— Isso, Airys! Força! — Jaqueline encorajou, a voz firme, mais carinhosa. — Ele está quase aqui.

Entre o choro, o suor que escorria do meu rosto e a dor que me dilacerava por dentro, um som novo cortou o quarto.

Um choro.

Alto.

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