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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 140

POV: ORION

— Orion. — Alec me chamou com a voz baixa, quase como um sussurro. Seus pés balançavam nervosos sob o banco da van, e os olhos amarelados estavam fixos no chão. — Eu sonhei de novo... com aquele lobo grande. Ele estava no meio da floresta, os olhos vermelhos como sangue... ele uivava pra gente, parecia... parecia triste e furioso ao mesmo tempo. Acho que a mamãe precisa saber.

Apertei sua mão devagar. Sempre fazia isso quando o cheiro do medo dele ficava mais forte, mais denso. Um medo que grudava na pele da gente. O toque dele estava gelado, e ele tremia um pouco.

— Você sabe que a mamãe não tá bem. — murmurei firme, tentando esconder o aperto no meu próprio peito. — Foi só mais um pesadelo, Alec. Só isso. Não precisa ficar com medo.

— Orion... — Theron entrou na conversa, me olhando de lado com aquele olhar desafiador dele, arqueando a sobrancelha e bufando alto. — Não é só um pesadelo. A gente sonhou com a mesma coisa de novo, os três. Isso é estranho. Muito estranho. E você sabe disso. A mamãe devia saber sim.

Suspirei fundo. Theron tinha razão, mas eu não podia deixar Alec entrar em pânico. Eu era o mais velho... por três minutos, mas era. E isso bastava para me sentir responsável por eles.

— A mamãe já tem coisa demais pra lidar, Theron. — retruquei com a voz baixa, para não ser ouvido, mesmo com o nó no estômago. — Ela cuida da gente, cuida do hospital, e ainda vive assustada com aquela guerra idiota. Você também a escuta chorando à noite... toda vez que ela acha que a gente tá dormindo. Ela parece tão... sozinha.

— Talvez seja saudade do papai... — Alec disse baixinho, quase sem som, os olhos marejando. — Ela nunca fala dele... mas disse que ele era forte. Que era o mais forte de todos.

Minha mandíbula travou. O calor subiu pelo corpo, e um rosnado escapou da minha garganta antes que eu conseguisse segurar.

— Se ele fosse forte de verdade, ele estaria aqui. — rebati ríspido. — Ele não se importa com a gente. Não temos pai.

— Fala por você. — Theron retrucou na hora, levantando o queixo e cruzando os braços. — Eu tenho sim. E um dia... um dia eu vou encontrar ele.

— Vocês são ridículos. — murmurei, irritado, desviando o olhar para o vidro embaçado. — Foi só um pesadelo e vocês sonhando com “papai me ama”.

Alec encolheu os ombros, cabisbaixo. Me arrependi da forma como falei.

— Você trouxe o que eu pedi? — perguntei então, mais baixo, olhando para ele de relance.

Ele assentiu devagar, enfiando a mão no bolso da jaqueta. Seus dedos tremeram ao me entregar a pequena ampola, que tilintou levemente entre os nossos toques. O líquido dentro dela era de um azul escuro, quase preto. Um brilho estranho pulsava lá dentro, como se tivesse... vivo.

— Achei escondido... no armário da cozinha. Estava dentro do pote de café, lá no fundo. — Alec explicou em voz baixa, lançando um olhar rápido pelo retrovisor. — O tio Colen parecia estranho hoje. Ele estava olhando para a mamãe quando achava que ninguém via.

Meu peito apertou.

— Então... estão envenenando a mamãe? — Theron sibilou entre os dentes, a voz carregada de ódio. Seus punhos se fecharam e os olhos ficaram vermelhos por um segundo. — Eles tão fazendo alguma coisa com ela, eu sabia! Desde o começo, eu sabia!

— Fala mais baixo! — pedi rápido, segurando seu braço. — Quer que ele ouça a gente? Olha pra mim, Theron. Respira.

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