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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 163

POV: AIRYS

— Estive lá. — Ele falou devagar, a voz baixa e carregada de ameaça. — Vasculhei cada pedaço. Nunca encontrei sinal de hospital... nem de pacientes.

Engoli seco, sentindo o desespero começar a me corroer.

— Eu... — balancei a cabeça, tentando organizar os pensamentos. — Eu não sei como explicar isso...

Suspirei, buscando forças para continuar.

— Colen... ele é híbrido. — Disse devagar, observando cada reação dele. — Jaqueline, aparentemente, é humana. E a irmã dela... — Travei a mandíbula. — Nunca cheguei a conhecê-la, mas diziam que era uma Lupina. Nunca entendi como três espécies podiam ser irmãos.

— Porque não eram três espécies diferentes! — Daimon disparou, afiado. Suas narinas dilataram, o olhar endureceu ainda mais, o ar ao nosso redor ficando pesado e denso.

— Você está dizendo... — comecei engolindo seco. — Que os pais deles eram uma bruxa e um lobo?

As peças começaram a se encaixar na minha mente confusa. Fazia sentido. Um sentido perigoso.

— Então não era só o colar que me escondia de você... — completei, a voz saindo baixa, como se tivesse acabado de pisar em terreno minado.

— Não. — Ele rosnou, virando o rosto para me encarar de frente. O som que saiu dele foi mais brutal, mais animalesco. O vermelho sangue mesclava nos olhos antes terrosos, o brilho predador de Fenrir se misturando ao do Alfa Supremo. O efeito era devastador. Intenso. Perigoso de um jeito que fez minha pele arrepiar inteira.

Meu estômago revirou de nervosismo.

— Aquele lugar fedia a magia negra. — Ele cuspia as palavras, os músculos saltando sob a pele. — Os lobos que nos atacaram também estavam aliados a bruxas. Um verdadeiro inferno!

Dei dois passos para trás, instintivamente, sentindo o perigo crescente que emanava dele. A pressão do poder de Daimon se expandiu tão violentamente que parecia que o ar dentro da cabana ficou mais denso, mais difícil de respirar. Seu corpo começou a mudar, pelos surgindo em faixas escuras pela pele, as garras crescendo e reluzindo sob a pouca luz.

— Daimon? — Chamei, com a voz trêmula, sem conseguir esconder o medo que corroía meus ossos. Vi o suor escorrer pela lateral do seu pescoço, a respiração descompassada fazendo seu peito largo subir e descer em ritmo frenético.

Ele se ergueu de um salto, balançando a cabeça numa tentativa desesperada de conter a fera dentro dele. E então, em passos pesados, cada um soando como uma sentença, avançou na minha direção.

Cedi, recuando até minhas costas baterem contra a parede de pedras da lareira. O frio da pedra contrasta com o calor febril que irradiava dele. Ofeguei, sentindo o impacto me fazer estremecer.

Ergui o olhar. Daimon já estava ali, imenso, dominador, cada centímetro de seu corpo exalando possessividade crua. Ele pousou a mão espalmada acima da minha cabeça, me prendendo entre ele e a parede, sua presença me esmagando, ocupando todo o espaço, toda a minha atenção.

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