POV: DAIMON
Ela me lançou um olhar mortal, mas engoliu em silêncio, aceitando.
— Sei mais sobre você porque a investiguei. — Continuei, minha voz carregada daquele tom grave que a fazia tremer. — Eu precisava saber quem era a mulher que invadiu a minha noite... quem ousou roubar minha atenção e meu controle. E, naturalmente... — Um sorriso cruel se formou na borda dos meus lábios. — Eu possuo recursos suficientes para obter todas as respostas que desejo.
Ela revirou os olhos, despejando uma dose generosa de sarcasmo em um único gesto, e tomou um gole da bebida, sem se importar com a tensão que ainda pulsava entre nós.
Depois, com uma naturalidade irritante, abriu a boca em um convite mudo para ser alimentada de novo, como se exigisse minha atenção.
Tão ousada.
Tão minha.
O canto da minha boca se ergueu em um sorriso satisfeito, o predador dentro de mim se deleitando com a provocação inconsciente.
— Que foi? — Ela resmungou, arqueando uma sobrancelha. — Começou, termina.
— Hunf... você é mesmo indisciplinada, pequena. — Ronronei com sarcasmo, levando mais uma garfada até sua boca.
Dessa vez, deixei a ponta do meu dedo roçar propositalmente em seus lábios antes de afastar o garfo. O leve tremor que percorreu seu corpo não passou despercebido, assim como o modo como ela engoliu em seco, engasgando-se de leve.
Rosnei baixinho, satisfeito.
— Cuidado, minha Luna... — adverti, a voz carregada de um perigo sedutor que a fez estremecer visivelmente.
Ela suspirou, batendo levemente no próprio peito, tentando recuperar o fôlego enquanto limpava a garganta.
— Engraçadinho. — Rebateu, ainda com a voz rouca.
Seus olhos voltaram a encontrar os meus com mais firmeza, mesmo com as bochechas tingidas de cor.
— Ao menos me dê respostas... — ela provocou, sorrindo de canto. — Antes da minha morte vergonhosa.
— Parece justo. — Rosnei, com um sorriso torto nos lábios, antes de pegar a taça e virar um pouco do vinho de uma só vez. Levei outro pedaço de comida até ela, alimentando-a lentamente, prolongando o contato, aproveitando cada pequena reação.
— Por ser o caçula, — comecei, a voz baixa e grave — meu ritual para ver se seria aceito por Fenrir foi o último. Klaus, sendo o mais velho, deveria ser o primeiro... e foi a primeira vez que o vi com medo de verdade.
Airys franziu o cenho, a curiosidade e a tensão desenhando suas feições delicadas.
Sem cerimônia, tomou o garfo da minha mão e comeu, empurrando o prato para mim com uma expressão determinada.
— Ordens médicas, Alfa. Se alimente. — Disse, arqueando uma sobrancelha de modo atrevido.
Desci o olhar lenta e deliberadamente por seu rosto, saboreando cada detalhe, cada centímetro. Meus olhos escorregaram pelo seu pescoço delicado e depois pelo corpo escondido apenas pelo tecido leve, cheio de curvas que pareciam feitas para serem minhas.
O aroma dela mudou sutilmente, denso e adocicado, perfumando o ar entre nós.
Subi o olhar com preguiçosa malícia, capturando a vermelhidão que subia em sua face quando percebeu para onde meus olhos haviam viajado.
— Não esse tipo de alimento! — exclamou, abaixando o olhar de forma tímida, o que apenas me divertiu ainda mais.

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