POV: DAIMON
Rosnei baixo, irritado por precisar realizar aquele teste, sabia de seu medo e dos riscos.
— Com a magia em ação, não sinto nada. Nenhuma fagulha da existência deles chega a mim. — Estalei a língua, ponderando em voz alta enquanto percorria sua cintura com a mão, apertando-a de leve. — Mas você... — meus olhos prenderam os dela — você é a Mãe. Você os carrega na alma, conhece seus cheiros, suas emoções, seus instintos. Você é o elo mais forte.
Airys arregalou ligeiramente os olhos, a respiração se acelerando.
— Não estará sozinha no teste. — Acrescentei, a voz firme, imponente. — Vou estar com você... guiando cada passo.
Ela respirou fundo, tentando recuperar algum controle que já havia perdido sem perceber. Suas pupilas dilataram violentamente, seu nariz se ergueu em um gesto de desafio orgulhoso.
— E como seria esse teste? — perguntou, a voz carregada de uma ousadia perigosa. — Serei caçada novamente por Fenrir? Porque, francamente, acho que deveria testar vocês dois também... para saber se são dignos de mim.
O sorriso que curvou meus lábios foi lento, predatório, cheio da luxúria crua que ela incitava em mim.
— Ah, pequena... — ronronei, arqueando uma sobrancelha em provocação.
Inclinei-me sobre ela, tomando posse do espaço que era meu por direito. Mordi a ponta do seu queixo de leve, um gesto tão íntimo quanto dominador, sentindo o pequeno estremecer que correu pela sua espinha. Subi com a boca até alcançar seus lábios entreabertos, que me receberam num convite silencioso..., mas desviei no último instante, ouvindo seu grunhido frustrado e delicioso.
Me aproximei de seu ouvido, deixando minha respiração quente roçar sua pele arrepiada.
— Quer ser castigada por sua audácia? — Sussurrei com um tom que era puro pecado, puro domínio.
Seu corpo vacilou sutilmente em uma respiração curta e instável denunciando a batalha interna emocional.
Meus dedos se infiltraram em seus cabelos sedosos, puxando-os com firmeza, impondo domínio. Um rosnado profundo e possessivo reverberou em meu peito, vibrando entre nós como uma ameaça e uma promessa.
Airys soltou o peso da cabeça na minha mão, rendida, entregue de um jeito que fez cada instinto dentro de mim rugir de satisfação brutal.
"Tão nossa." Fenrir completou, sua voz lupina soando como um ronronar selvagem na minha mente. "Precisamos ir."
Relutante, deslizei os dedos pela sua nuca com um último toque firme, roçando a ponta do nariz no dela num gesto brusco e autoritário.
— Vamos nos preparar para partir. — Disse baixo e grave, em uma ordem. — Assim que a tempestade diminuir, partiremos.
Me afastei dela a contragosto, ignorando a chama de protesto silencioso que brilhou em seus olhos dourados. Meu corpo, marcado e forjado em batalhas, exibia agora mais uma cicatriz. A ferida recém-fechada pulsava discretamente sob a pele, uma memória a mais gravada em minha carne.
Caminhei até a cozinha com passos lentos, sentindo sua presença constante atrás de mim. O silêncio dela era mais eloquente do que qualquer palavra. Abri a pequena adega, peguei uma garrafa de vinho e servi duas taças, preparando também alguns petiscos rápidos com movimentos hábeis e secos.
Airys me observava com o cenho franzido, a expressão cheia de confusão e curiosidade contida.
Puxei uma cadeira para ela, sem dizer uma palavra, apenas indicando com a cabeça que se sentasse.
Ela hesitou por um segundo, mas acabou obedecendo.

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