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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 171

POV: AIRYS

— Pequena, o pouco que sabe sobre mim já foi o suficiente para sentir medo. — A voz de Daimon cortou o silêncio com firmeza. Sua cabeça se inclinou levemente, como se estudasse cada movimento meu. Seu olhar percorria meu rosto, avaliando até os tremores discretos dos meus lábios. — Não a culpo por isso.

Meus dedos se enroscaram uns nos outros por reflexo. O medo era real. Não de que ele me machucasse fisicamente, não mais, mas de tudo o que ele carregava por trás daquele olhar sombrio e intenso. Ainda assim, ergui o queixo, não queria que ele percebesse minha hesitação.

— Talvez eu o tema por não conhecer sua história. — Encarei-o com firmeza, forçando minha voz a sair mais segura. — É difícil confiar no que não se entende. Você confiaria em mim se não tivesse vasculhado a minha vida?

— Provavelmente não. — Ele respondeu sem hesitar, dando de ombros, mas seus olhos cintilaram. Aqueles tons terrosos mesclados ao vermelho pareciam mais vivos à luz tênue. — Mas minha história não é motivo de orgulho.

Minha respiração prendeu por um instante. Ele nunca falava sobre o passado. Cada vez que eu tentava tocar nesse assunto, ele desviava, usava sarcasmo, ou me calava com os olhos. Mas agora, havia uma brecha. Um espaço mínimo, porém, suficiente.

— O que sentiu quando viu o que seu irmão fez? — perguntei, baixando o tom. Não queria afastá-lo.

Inspirei o seu aroma, e uma nota diferente me atingiu. Um cheiro mais denso, menos amadeirado. Havia algo ali... uma mistura amarga e picante que me causou um arrepio na espinha.

“Rancor? Ódio? Raiva? Não...” Meu pensamento ecoou, enquanto mantinha os olhos nele. “É dor. Desamparo. Solidão.”

Aproximei-me devagar. Minha mão subiu até seus cabelos escuros, sedosos e bagunçados. Passei os dedos entre as mechas, sentindo sua textura. Ele não se moveu. Apenas me observava, imóvel, como se quisesse ver até onde eu iria.

Desci a mão por seu rosto, roçando levemente a pele quente e firme. Meus dedos tocaram uma das cicatrizes, aquela que sempre me chamava atenção, a que cortava sua sobrancelha e se estendia até a bochecha.

Ele não desviou. Não afastou meu toque.

Meu coração batia rápido demais. A tensão era palpável, pesada. Meus dedos tremeram um pouco ao contornar a cicatriz. Sua respiração oscilou por um segundo, um suspiro contido, quase imperceptível, mas que entregava mais do que qualquer palavra.

Contornei devagar a cicatriz, sentindo seu corpo estremecer sob meu toque. Um rosnado grave vibrou em seu peito, denso e abafado, como se tentasse se conter. Fiquei na ponta dos pés, me inclinando para beijar a marca com lentidão, sem desviar o olhar do dele. Meus lábios roçaram a pele quente e rígida, e quando me afastei, mantive nossos olhares presos, alinhados, desafiadores e íntimos.

— Foi Raiker que fez isso? — perguntei, minha voz saindo firme, mas baixa, como se temesse acordar algo que ele lutava para manter adormecido.

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