POV: AIRYS
— Fenrir está enlouquecido com isto. — A voz rouca de Daimon vibrou perto do meu ouvido, carregada de uma ameaça sedutora que fez meus pelos arrepiarem. Um sorriso ousado se desenhou nos lábios perfeitamente esculpidos dele, daquele jeito que só ele sabia fazer, como se estivesse no controle de tudo e estava. Sem aviso, ele deslizou a mão quente e firme sobre a minha e a conduziu até o peito dele.
O calor do seu corpo era absurdo, quase febril. Debaixo da minha palma, os batimentos estavam acelerados, selvagens, como se o lobo dentro dele estivesse pronto para arrebentar a carne e me tomar por completo.
— Por isso a sentimos tão intensamente, — ele continuou mantendo os olhos cravados nos meus com uma intensidade cortante. — Este fascínio, esta ligação... Minha pequena.
Minha garganta secou. Um arrepio percorreu minha espinha, e o chão sob meus pés pareceu instável. Ele mordeu o lábio inferior com força, os olhos escurecendo enquanto deslizava o olhar para a minha boca. Demorou ali, encarando-a como se fosse um vício perigoso, como se a simples ideia de me tocar o deixasse à beira do colapso.
Seus músculos se retesaram, os braços torneados marcando cada linha de tensão. Notei uma gota de suor escorrer pela sua têmpora, o que era ridículo considerando o frio que nos envolvia. Ele ardia. Literalmente.
E eu também.
Meu peito subia e descia rápido. O ar parecia pesado, denso demais para ser respirado.
— O quê? — minha voz saiu em um sussurro rouco, quase irreconhecível, arrastada por uma onda de sensações que me estremeciam por dentro. Os olhos dele cravados nos meus me consumiam por inteiro, e eu mal conseguia raciocinar. — Por que está me olhando assim?
Umedeci os lábios, provocando, desafiando. Quis testar o limite. E testei.
Um som rouco escapou da garganta dele, um gemido abafado, como se tivesse acabado de ser atingido por algo forte demais para conter. Ele fechou os olhos por um segundo, inspirou fundo e então os abriu de novo, ainda mais intensos, mais escuros, mais... perigosos.
— Hunf, feche os olhos. — Ele ordenou, com a voz baixa e firme, cheia de uma autoridade que me atingiu direto nos nervos. O tom imponente, quase ríspido, não deixava espaço para questionamentos. Soprou contra o meu rosto, quente e provocante.
E como se meu corpo não fosse mais meu, obedeci.
Meus olhos se fecharam num reflexo involuntário, como se apenas a presença dele bastasse para dobrar minha vontade. Meu coração começou a bater com mais força, e o ar parecia pesado demais para ser respirado.
Senti o calor da presença dele se aproximar, denso, sufocante, perigoso. Ele colou o corpo no meu, e quando sua boca alcançou meu queixo, senti os dentes tocarem minha pele. Um mordiscar lento, provocante, como se estivesse me marcando. As presas rasparam pelos meus lábios, arrepiando cada nervo do meu corpo. Então ele desviou, arrastando a boca pela minha bochecha até alcançar minha orelha.
Ali, ele mordeu com mais força, capturando a pele sensível entre os dentes. Um choque elétrico percorreu meu corpo, me fazendo arfar, os joelhos fraquejando sob o peso da sensação. Meus dedos se fecharam a lateral de seu corpo em reflexo, como se ele fosse a única coisa me sustentando naquele instante e era.
— Escute, minha pequena Lobinha. — a voz rouca, grave e carregada de uma possessividade que beirava o insuportável. Aquilo mexia com algo primal dentro de mim. Algo que rugia e implorava por ele.
As mãos dele começaram a subir pelos meus braços devagar, arranhando a pele sensível com as unhas, despertando cada centímetro do meu corpo. Era um toque que queimava e acariciava ao mesmo tempo. Uma mão deslizou para minha cintura, apertando com força, segurando como se eu fosse propriedade dele. A outra subiu até minha nuca, firme, controladora, me mantendo no lugar.

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