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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 187

POV: AIRYS

O som reverberou no ar, me atravessando como uma descarga elétrica. Arfei, sentindo meu corpo todo reagir ao timbre primitivo que ele emitiu. Era uma advertência. Um aviso. Uma promessa.

— Pequena... precisa controlar esses pensamentos maliciosos. — Sua voz chegou até mim com uma rouquidão preguiçosa e perigosa, como um sussurro arrastado de advertência.

Ele se virou devagar, os músculos se movendo sob a pele exposta, e cruzou as pernas com naturalidade, posicionando os braços à frente do corpo enquanto me media com aquele olhar predatório.

— Se quiser me pegar de surpresa.

Engoli em seco.

— Eu não estava... — Mordi o interior da bochecha, sentindo meu rosto esquentar. Era óbvio que minha mente estava repleta de besteiras. Uma enxurrada delas, aliás. Bastava olhar para ele... para lembrar como meu corpo reagia, entregando-se inteiro sem resistência.

— Bem... — suspirei, tentando manter a compostura — ...se usasse mais camisas, facilitaria.

Tentei soar casual, mas minha voz vacilou, traída pela visão que ele me oferecia sem pudor algum.

Daimon arqueou uma sobrancelha, com aquele semblante presunçoso de quem sabe exatamente o que causa. O sorriso torto surgiu no canto dos lábios, carregado de intenções que aceleraram meu pulso sem esforço algum.

Ele começou a se aproximar.

Devagar.

Passo a passo.

As mãos nos bolsos. O olhar afiado. A postura relaxada e, ao mesmo tempo, tão ameaçadora quanto sedutora. Sua presença se impunha como uma muralha viva, e o ar ao meu redor parecia mais denso a cada passo dele.

Parou diante de mim, perto o suficiente para me fazer prender a respiração.

Levantei o queixo, encarando seu rosto com ousadia ou fingindo ter mais do que realmente sentia naquele instante. Os olhos dele se fixaram nos meus. Vermelhos. Intensos. Fenrir também estava ali.

O poder que emanava de Daimon havia mudado. Algo novo, mais antigo e selvagem se fundia à sua essência. Seu cheiro... era outro. Familiar, mas com uma nota inédita, primitiva, carregada de algo ancestral.

Senti os pelos dos braços arrepiarem. Meu coração deu um salto. Arfei baixinho. Não havia sequer um toque entre nós, mas meu corpo já reagia como se estivesse sendo invadido por uma energia quente, eletrizante, incontrolável.

Daimon tombou a cabeça de lado, me analisando com uma calma assustadora. Havia satisfação em seu rosto. Aquele tipo de prazer silencioso de quem tem total controle da situação e de mim.

Sem aviso, inclinou-se.

As mãos ainda nos bolsos.

Roçou as presas nos meus lábios devagar, quase em provocação.

Não me tocou com as mãos. Não precisava. Seu hálito quente roçava minha pele. Minha boca se entreabriu em um suspiro involuntário. Estremeci dos pés à nuca.

— Está tremendo... — ele murmurou, com os olhos fixos na minha boca.

Teimosa como sempre. E impulsiva demais para recuar.

Avancei mais um passo, me aproximando até sentir o calor que emanava do corpo dele. Era como se uma corrente invisível me atraísse, quente, densa, inebriante. Meu peito arfava, e cada centímetro que nos separava era um martírio.

Ele não recuou. Apenas observou.

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