POV: ORION
Atrás de mim, Alec arfava devagar. Senti seus dedos apertando a barra da minha camiseta com força. Theron encostou o ombro no meu, firme. O calor dos dois me deu coragem.
O homem sorriu. Um sorriso torto, perigoso, debochado. Depois... aplaudiu. Devagar.
— Corajoso. — murmurou, se abaixando até ficar quase na nossa altura. Os olhos dele se estreitaram, predadores. — Mas eu não quero o guerreiro... Estou mais interessado em quem vocês protegem.
Naquele instante, percebi. Ele sabia. Sabia que havia algo diferente em Alec. Algo que nem mesmo nós entendíamos.
E ele a queria.
Em um movimento rápido, ele avançou sem aviso.
A mão dele agarrou a gola da camisa de Alec com brutalidade, erguendo minha irmã do chão como se fosse uma boneca. O grito dela cortou o ar. Alto, trêmulo, desesperado.
— THERON! ORION! — ela chorou, as perninhas balançando no ar, os bracinhos tentando agarrar qualquer coisa, mas só havia o vazio e o medo.
— SOLTA MEU IRMÃO! — Theron berrou, agarrando a perna de Alec com força, tentando puxá-la para baixo. O rosto dele estava vermelho, os olhos arregalados, as mãos escorregando no tecido.
Mas o homem o chutou com violência. Theron caiu de costas no chão com um gemido de dor, arfando sem ar, o corpo pequeno se contorcendo de dor.
— NÃO MACHUCA ELES! — eu gritei, e sem pensar duas vezes, avancei. O medo explodia dentro de mim, mas o amor gritava mais alto. Me joguei no braço dele e mordi com força, os dentes cravando na pele grossa como se eu fosse uma fera.
Ele grunhiu irritado, a pele se contraindo sob minha boca. Num gesto raivoso, nos arremessou, Alec e eu, no chão de uma vez só.
Caímos com um baque surdo.
Senti o ar sumir dos pulmões. O chão gelado queimou minhas costas. Meu corpo inteiro doía, mas mesmo assim, mesmo assim, eu me arrastei. Com os cotovelos, com os joelhos, com tudo que eu tinha. Me pus de pé. Me coloquei de novo na frente deles.
Cuspi sangue no chão. A boca latejava. Mas eu estava ali. Ainda era o escudo.
— Me machuque, se quiser. Mas não toca mais neles. — declarei, arfando, o peito subindo e descendo descompassado. Estufei o tórax com força, minha respiração pesava, meus olhos ardiam... e alguma coisa dentro de mim queimava.
Minhas unhas começaram a esticar.
Minhas mãos tremiam. Mas não de medo. Era... outra coisa. Uma força que não entendia, mas que estava lá.
— Pirralho, você não tem poder ou força para protegê-los. — ele me olhou de cima, com arrogância estampada no rosto. O sorriso dele era venenoso. — Você estaria disposto a morrer pelos seus irmãos?
Um frio subiu minhas costas e enfiou garras no meu estômago. O corpo inteiro tremia, eu cerrei os punhos com força, tentando conter. Não podia fraquejar. Não agora.

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