POV: ORION
Ela ergueu o olhar devagar, os olhos ainda vermelhos e molhados. Arfava baixinho, com o rostinho tremendo. Hesitou por um segundo, depois secou os cantos dos olhos com as costas da mão e esticou a mãozinha até a minha.
— Tudo bem..., Mas você promete que vai ficar perto de mim?
— Sempre. — sussurrei, apertando a mão dela com firmeza.
Fomos em silêncio até o canto oposto da sala escura. Theron subiu nos meus ombros com rapidez, equilibrando-se com os joelhos trêmulos, mas firmes. Alec, um pouco hesitante, escalou com a ajuda dele e se apoiou em seu ombro. Estavam pesando, mas eu aguentei.
— Mais um pouquinho, empurra com força, Alec! — incentivei em voz baixa, tentando conter o barulho.
Ela empurrou com as duas mãos pequenas até a janelinha ceder. A luz fria lá de fora invadiu a sala como um sopro de esperança. Alec puxou o próprio corpo com dificuldade, escorregando um pouco, mas conseguiu. O coração batia tão rápido que eu sentia o sangue vibrar na cabeça.
Quando ela passou, esticou a mão pra Theron, arfando:
— Rápido, sobe!
Theron olhou para mim, os olhos preocupados. E antes que pudesse dizer qualquer coisa, ouvimos passos pesados se aproximando do lado de fora.
O tempo acabou.
— Vai logo. — falei baixo, sentindo o peso da pisada de Theron no meu ombro enquanto ganhava impulso. Meu corpo cedeu um pouco com a força, mas firmei os pés no chão. Um rosnado escapou da minha garganta no mesmo instante em que ouvi o estalido da fechadura girando.
A porta estava se abrindo.
— VÃO! — gritei.
— Mas e você?! — Alec respondeu em alerta, o corpo ainda pendurado do lado de fora da janela. Os olhos dela se arregalaram, cheios de desespero. — Não vamos sem você!
— Theron, tira ela daqui. — falei com firmeza, sem hesitar, encarando meu irmão. — Vou dar um jeito de encontrar vocês. Só... tenha cuidado. E cuida da Alec.
Theron me olhou por um segundo, os olhos marejados, mas assentiu. Rápido. Sem fazer drama. Do jeito que ele sabia que eu precisava que fosse.
— Tenha cuidado, Orion... Eu não quero ser o irmão mais velho. — murmurou, puxando Alec com ele. A frase me arrancou um riso curto, doído. Ela chorava baixinho, arfando, mas não resistiu quando Theron a ajudou a sair por completo.
O coração apertou no peito.
O capanga escancarou a porta com brutalidade e rugiu:
— Ei, pirralhos! O que estão fazendo?!
Sem pensar duas vezes, me joguei nas caixas empilhadas, empurrando tudo com força. Os caixotes caíram com estrondo, atrapalhando a passagem do homem. No meio do barulho, corri para o corredor, sem olhar para trás.
O ar era pesado, o chão parecia mais longo a cada passo. Meus pulmões ardiam, as pernas doíam, mas eu continuei correndo.
Virei o corredor com o coração na garganta.
E parei. Bruscamente.
Diante de mim, estava ele.

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