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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 214

POV: DAIMON

— Ele é cabeça dura. — Orion alertou, com a calma madura que sempre o acompanhava.

— Hunf... Isso ele puxou da sua mãe. — Pisquei para ele, bagunçando seus cabelos com uma das mãos antes de seguir o rastro do pequeno lobinho rebelde.

Atravessei o corredor lentamente, absorvendo os cheiros que vinham do andar de cima. O perfume de Airys misturado ao aroma sutil de ervas queimando encheu minhas narinas. As irmãs Celestiais estavam realizando algum tipo de ritual. O cheiro era suave, envolvente. Algo de cura.

Mordi o lado de dentro da bochecha, lutando contra o impulso de subir até ela. Minha prioridade era outra agora.

Desci as escadas em silêncio, os passos pesados no chão de madeira ecoando suavemente até a porta dos fundos. Quando a empurrei, o ar frio da manhã cortou meu rosto, e o som abafado da neve sendo moldada me fez focar na pequena figura sentada ao fundo.

Theron estava ali, solitário, com o semblante fechado. Moldava bolinhas de neve em silêncio e as arremessava longe com força, como se cada uma fosse uma forma de descarregar o que sentia. Seus olhos estavam marejados, as lágrimas presas na linha fina que contornava o olhar. Mas ele não deixava cair. Orgulho. Raiva. Medo.

Me aproximei sem fazer barulho, como um predador sorrateiro, absorvendo a cena. Precisava admitir, tivemos filhos lindos.

Os olhos de Theron eram intensos, marcantes. Um deles vibrava em tom terroso escuro. O outro... dourado, puro e brilhante. Era como carregar em si os traços da mãe e do pai em perfeita divisão.

“Muitas lobas se jogaram aos seus pés, Alfa.” A risada de Fenrir veio orgulhosa. “Um príncipe e tanto.”

— Com esse olhar, vai precisar de guarda-costas em breve. — murmurei, firme, mas sem dureza, parando atrás dele.

Theron não respondeu. Só continuou moldando a neve com mais força.

Me agachei, ficando na altura dele, o corpo ainda reclamando pelas dores, mas ignorando tudo. Observamos o horizonte juntos por alguns segundos, em silêncio. A neve caía de leve. O mundo parecia mais quieto do que nunca.

— Sabe... quando eu era pequeno, também ficava com raiva. — falei, a voz baixa. — Sentia vontade de sumir. Ou socar alguma coisa. Às vezes, os dois.

— Não estou com raiva. — respondeu, finalmente. Mas a voz dele saiu embargada, quase falhando.

Me sentei ao lado dele em silêncio. Meu corpo era grande demais comparado ao dele, meu tamanho cobria o dele com facilidade, e mesmo assim, Theron se encolheu levemente, deslizando um pouco para o lado. Queria distância. Estava na defensiva.

Mas eu podia sentir. O cheiro de angústia. De confusão. De medo disfarçado de raiva.

— Eu não vou embora. — falei com firmeza, mantendo o tom grave, mas sincero. Mantive os olhos fixos na neve à frente, como se falasse com o mundo. — E não vou abandoná-los.

Theron virou levemente o rosto, atento.

— Nunca tive a intenção de ficar longe. — continuei deixando que ele sentisse o peso das minhas palavras. — Não me importa quantas batalhas eu tenha que enfrentar. Lobos, humanos, bruxas ou Deuses...

Então virei o rosto devagar na direção dele, inclinando a cabeça de lado, sem desviar o olhar. Queria que ele visse. Queria que soubesse.

— Eu mataria todos. Sem hesitar. Para garantir que vocês estejam seguros comigo.

A vibração da minha áurea Alfa se espalhou no ar, densa, pesada, viva. Vi quando os pelos dos braços dele se arrepiaram. Os olhos se arregalaram num misto de surpresa e respeito. E então, uma lágrima escorreu, silenciosa, teimosa, queimando o rosto dele como fogo.

— Theron... — chamei, mais baixo agora, controlando o instinto. — Você não precisa ser forte agora.

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