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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 236

POV: AIRYS

— Não apenas sua força e disciplina… — ele inclinou levemente a cabeça, os olhos faiscando com aquela intensidade e percepção. —…, mas também sua lealdade… e devoção. Perfil necessário para ser o meu próximo beta!

— Eu? — Jasper arregalou os olhos, apontando para si mesmo com aquele ar debochado, mas, dessa vez, a surpresa era genuína, quase infantil. O sorriso puxou de canto, sagaz, como sempre. — Eu te disse que chamaria a atenção do Supremo.

Arqueei a sobrancelha, cruzando os braços e soltando uma risada curta, afiada como minha paciência naquela situação.

— E só quase precisou morrer para isso, idiota. — Revidei, sem nem tentar disfarçar o sarcasmo. O vi bufar, teatral, revirando os olhos, como se o drama dele fosse mais importante que o fato de ter quase batido as botas. — Você sempre mereceu esse título, Jasper… é um lobo honrado.

Minha voz saiu mais firme do que imaginei, e ele percebeu, porque me encarou por um segundo, mais sério, antes de soltar aquele sorriso convencido.

— Sim. — A voz imponente de Daimon rompeu com a frieza afiada de quem dita sentenças. Ele não precisava de floreios; cada palavra era direto, preciso. — Apesar da traição de Simon, acredito que tudo o que ele fez foi para ser descoberto. Para expor a armação por trás de tudo.

Me virei para ele, confusa, o coração batendo mais forte não só pelas palavras, mas pela proximidade que ele, inevitavelmente, sempre diminuía entre nós. Suspirei, sentindo o cheiro dele invadir meus sentidos: amadeirado, selvagem, perigosamente viciante.

— Não entendi — confessei, erguendo o queixo em desafio, mas com aquela maldita vulnerabilidade que ele sempre arrancava de mim.

Daimon me encarou com aquele olhar que parecia arrancar até os meus ossos. Os olhos dele estavam sombrios, intensos, famintos…, mas não por sangue. Por mim. E eu odiava e amava isso na mesma medida.

— A bebida envenenada… — começou, seu timbre da voz vibrou em meu peito, fazendo o coração errar uma batida, minha pele se arrepiava por inteira. — Fui drogado, mas não o suficiente para me fazer perder a consciência.

Ele deu de ombros com uma calma que me irritava e me excitava ao mesmo tempo. E então rosnou, baixo, gutural, fazendo o ambiente vibrar sob a força do seu poder Lycan. Meus joelhos fraquejaram, e precisei cravar as unhas na palma da mão para manter o foco.

— Não morreria com aquilo — continuou inclinando levemente o rosto, os olhos fixos nos meus, como se não houvesse mais ninguém ali. Meu coração acelerou ainda mais, e eu senti o calor subir pelas minhas coxas, sufocante, desesperado. — Porém…

— Poderia ter sido apagado imediatamente… se precisasse. — Completei, a voz saindo em um fio, entre o choque e a constatação. Arqueei as sobrancelhas, boquiaberta, enquanto o raciocínio se encaixava. — Simon quis parecer o traidor… para que o inimigo não desconfiasse… e para que você soubesse o que estava acontecendo. Ele poupou a vida da irmã de Jaqueline… e ficou aguardando o seu retorno.

Minhas palavras ficaram presas no ar, pesadas, sufocantes. O peito subia e descia num ritmo frenético, enquanto minha mente girava tentando absorver tudo.

— Sim. — O rosnado de Daimon quebrou o silêncio, denso, selvagem, reverberando por todo o meu corpo. Sua voz grave e feroz me fez arfar. Sem aviso, ele estendeu as garras. Longas. Afiadas. Letais.

As lâminas cortaram a madeira do tronco ao lado com uma facilidade perturbadora, arranhando, rasgando, descendo lentamente sobre a superfície como se fosse papel. O estalo seco da madeira quebrando me fez estremecer, os pelos da nuca arrepiaram.

— Inseto estúpido… — ele cuspiu com desprezo, os dentes cerrados, o maxilar tenso, a respiração pesada.

Arfei, sem conseguir desgrudar os olhos dele, hipnotizada por aquela fúria contida e, ao mesmo tempo, perigosamente à beira de explodir.

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