POV: AIRYS
Lentamente, abriu os olhos, semicerrados, suas íris mesclavam tons amêndoa com âmbar brilhando com um misto de tristeza e humor, onde vi pela primeira vez, o reflexo de seu lobo ao fundo, igualmente ferido. Ele me lançou um olhar de lado, o canto da boca se curvando em um sorriso fraco.
Eu ri, o som abafado contra o peito dele, e apertei o abraço, sentindo a solidez do corpo dele contra o meu.
— Cala a boca, seu idiota — rosnei, minha voz carregada de carinho e ironia. — Sou sua irmã de coração, e vou te abraçar sempre que você precisar, quer você goste ou não. — Inclinei a cabeça para trás, arqueando uma sobrancelha, e continuei: — Além do mais, aquela bruxa sinistra disse que há algo lindo para acontecer na sua vida. Algo sobre o Destino ter um senso de humor afrontoso contra a Deusa Lua. Então, quem sabe? Talvez você ainda tenha uma surpresa.
— É mesmo? — Ele arqueou uma sobrancelha, tombando ligeiramente a cabeça, enquanto seus olhos vermelhos cintilavam com aquele brilho debochado, misturado ao peso do luto que nem ele conseguia disfarçar. — E o que seria, Airys? Uma segunda morte épica?
Bufei, apertando os olhos e socando sua costela com força o suficiente para arrancar um grunhido.
— Não brinca com isso, idiota. — Rebati com firmeza, encarando-o de baixo. — Uma segunda chance, seu ogro emocional.
Jasper arfou, ajeitou os ombros largos, e deixou escapar um riso abafado, meio rouco, que mais parecia um desabafo preso na garganta.
— Hmm... — Ele tombou novamente a cabeça para o lado, encarando algum ponto perdido no horizonte, com olhos avermelhados pelo choro quase opacos de tanto engolir dor. — Espero que o Destino tenha um dedo mais competente que a Deusa Selene... — Ele puxou o ar, tremendo de leve ao soltar. — Já pensou? Ter outra Lify na minha vida... mais uma que não me queira? Se isto acontecer é melhor virar gay ou morrer de vez!
Minha mandíbula caiu. Arregalei os olhos e arqueei as sobrancelhas em choque, antes de explodir numa risada alta, sincera, aquela que fazia o peito estremecer e o corpo vibrar.
— JASPER! — Empurrei o ombro dele com força, balançando a cabeça, mas não consegui segurar o sorriso largo que rasgava meu rosto. — Eu juro que vou clamar para o Destino te dar uma companheira com o senso de humor mais ácido desse mundo...
Apertei os olhos, cruzando os braços com desafio.
— E que seja tão boa com as bebidas quanto você. — Completei, arqueando uma sobrancelha, olhando para garrafa quase seca do liquido que ele bebeu praticamente sozinho.
Ele soltou um riso nasal, aquele meio descrente, típico dele, e girou o copo na mão, fazendo o líquido tilintar.
— Tá querendo um milagre, Airys. — Respondeu, secando as lágrimas teimosas que ainda desciam, usando o dorso do punho com uma mistura de vergonha e alívio, como se aquele toque, aquele momento, servisse para lembrar que ele não estava sozinho. — Um milagre bem específico, inclusive. — Ajeitou a postura, virou-se completamente para mim, ergueu o copo e sorriu, aquele sorriso torto, carregado de ironia, mas com um fundo de esperança dolorida. — À Lify.
— A Lify e as surpresas do Destino. — Pisquei, batendo de leve meu copo no dele, deixando que o som seco preenchesse aquele pequeno instante de cumplicidade.

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