POV: AIRYS
Me aproximei dele, que havia acendido uma fogueira próxima, o calor do fogo próximo aquecendo um lado do meu rosto, bati meu braço contra o ombro dele, em um gesto que era meio apoio, meio provocação. Seus ombros largos se curvaram levemente, e seus olhos amêndoas, fixaram-se no horizonte, como se ele pudesse encontrar Lify entre as estrelas.
— Mas eram destinados, Jasper — falei, minha voz firme, mas com um toque de suavidade que eu raramente deixava escapar. — A dor de perder um elo assim é inimaginável. — Inclinei-me mais perto, ficando ao seu lado. — Li nos livros que, quando os Lupinos perdem sua companheira ou são rejeitados, sentem parte de sua alma se partindo, dilacerando. É uma dor física, emocional e transcendente. Como se alguém enfiasse uma faca no seu peito e torcesse, só que pior, porque não tem fim.
Jasper deu de ombros, tentando manter a fachada de indiferença, mas o jeito como seus dedos apertaram o copo vazio traiu a fachada. Ele virou outra dose de uísque, o líquido desaparecendo em um gole rápido, sem nem uma careta. O pomo de adão subiu e desceu, ele estendeu o copo na minha direção, franzindo o cenho, a sobrancelha arqueada com aquele ar sarcástico que eu conhecia tão bem.
— É... — ele murmurou, cutucando meu braço com o copo. — Eu quase morri por você, sabia? E tô esperando essa bebida há oito anos, então, acho que mereço a garrafa toda, não é?
Eu ri, jogando a cabeça para trás, o som ecoando na noite fria. O vento soprou novamente, levantando fios do meu cabelo e enviando um arrepio pela minha espinha, como se a própria noite estivesse me avisando de algo.
— Sinto que nunca vou pagar essa dívida, não importa quantas garrafas de tequila eu te dê — resmunguei, minha voz carregada de sarcasmo, mas com um toque de carinho que eu não conseguia evitar. Arqueei uma sobrancelha, olhando para Jasper, que brincava com o copo vazio nas mãos, os dedos girando o vidro como se ele pudesse encontrar respostas no movimento. — Jasper... É essa dor que você tá sentindo? Como os livros dizem? Aquela coisa de alma partida, dilacerada?
Ele suspirou, os ombros largos se curvando levemente, como se o peso da pergunta o tivesse acertado em cheio. Seus olhos amêndoa sob a luz tremeluzente, fixaram-se no copo, evitando meu olhar.
— É como se parte de mim tivesse morrido junto, entendeu? — Sua voz saiu baixa, rouca, carregada de uma emoção crua que fez meu peito apertar. Ele brincava com o copo, os dedos apertando o vidro com mais força, e continuou: — O que me deixa puto, sabia? Porque Lify não me queria como seu companheiro, pelo menos, não na frente dos outros... Ela negava meu lobo, negava nosso elo... Ela sequer... bem... além daquele dia.
Sua voz falhou, morrendo por um instante, ele pigarreou, como se tentasse engolir o nó na garganta. Seus olhos semicerrados brilharam com algo que parecia uma mistura de raiva e tristeza, franzindo a boca antes de tomar outro gole, o líquido descendo rápido. Ele suspirou, pesado, jogando a cabeça para trás, olhando para o céu escuro como se pudesse encontrar alívio
O aroma salgado de lágrimas silenciosas que escorriam por seu rosto, até se acumular no maxilar tensionado juntando e pigando. Ele não me olhava, mantinha o rosto virado para o horizonte, onde a imensidão noturna pareciam indiferentes à sua dor.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO