POV: DAIMON
Ela arquejou, seus lábios se entreabriram em surpresa, as lágrimas cintilaram na linha fina de seus olhos, escorrendo uma única teimosa por sua pele de porcelana. Deslizei o dedo arrasando a lagrima para o lado, erguendo a mão dela que eu segurava e beijei o dorso respeitosamente.
— Você… não precisava fazer tudo isto por mim, Daimon… — ela sussurrou, a voz baixa, trêmula, os olhos fugindo dos meus por um segundo antes de voltar, hesitantes, mas curiosos. As bochechas estavam coradas, a respiração acelerada, o peito subindo e descendo num ritmo irregular. Ela olhou em volta, absorvendo tudo que eu havia feito, e então se forçou a me encarar novamente. — É loucura… você é o Alfa Supremo… tem coisas mais importantes do que…
— Nada… — interrompi com firmeza, minha voz saindo grave, autoritária, o tom de quem não admite discussão. Dei um passo à frente, a presença dominante, ocupando cada centímetro do espaço entre nós, até que ela teve que erguer o rosto para continuar me encarando. — Nada é mais importante… do que a minha família… e a minha companheira.
Minha aura explodiu ao redor, densa e esmagadora, como uma força invisível que fez o chão vibrar sob nossos pés. Ela estremeceu, os olhos arregalando, mordendo o lábio inferior de forma instintiva, puxando minha atenção para o rubor quente que tingia sua pele.
Ergui o seu queixo com dois dedos, firme, exigente, trazendo seu olhar para o meu.
— Olhe para mim! — Ordenei, a voz mais baixa, mais áspera, inegociável.
Ela obedeceu, lentamente, os olhos fixando nos meus com um misto de desejo, receio e desafio. Eu sentia o cheiro agridoce do seu nervosismo misturado ao aroma inconfundível do desejo latente. Seu corpo vibrava com a tensão, as mãos fechadas em punhos ao lado do corpo, como se resistisse a se entregar completamente, mas não soubesse como.
— Você tem… certeza disso? — Ela perguntou enfim, a voz saindo num fio de hesitação, e ali, naquela pergunta, estava a sua maior vulnerabilidade, o seu medo.
Deixei um sorriso surgir no canto dos lábios, um meio sorriso carregado de pura intenção, inclinei ainda mais, colando nossos corpos, meu calor invadindo o dela, o peito arfando contra o dela, tão próximo que ela soltou um suspiro involuntário.
“Ela nunca enxerga o valor que tem.” Fenrir grunhiu na minha mente, a voz grave vibrando junto aos rosnados que reverberavam em meu peito. “São nossas Destinadas… nossas companheiras… parte da nossa essência.”
Soltei um suspiro pesado, inclinando-me para mais perto, até que meu hálito quente tocasse a pele dela, causando um leve arrepio que percorreu toda sua extensão, fazendo seu corpo estremecer. Ela tentou manter a postura, mas falhou quando levantei a mão e deslizei com firmeza e propriedade pelos contornos de sua bochecha, marcando minha presença nela, como se aquele simples toque fosse uma extensão da minha vontade: inviolável.
— Desde o dia em que você entrou naquele quarto por engano… — comecei, minha voz saindo grave, carregada de uma certeza que não precisava de justificativas — …nunca… em nenhum segundo… tive dúvidas de que a queria.
Acariciei sua bochecha, mantendo meu olhar preso ao dela, exigindo que não desviasse, que sentisse o peso das minhas palavras, que aceitasse o que era inegável. Airys mordeu o lábio inferior, um reflexo de tensão e desejo, enquanto respirava fundo, o peito subindo e descendo rápido.

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