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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 271

POV: SIMON

Minha carne estava em fiapos, pendendo em tiras sangrentas. Os cortes abertos ardiam como brasa viva, e os pulsos, presos por correntes de prata, queimavam sem trégua. Minha pele havia sido arrancada em partes, exposta, viva, pulsando. O cheiro de sangue metálico e carne queimada dominava o ar. Algumas das minhas presas estavam quebradas, arrancadas sem anestesia ou compaixão, e cada respiração fazia minhas costelas protestarem em dor lancinante, como se ainda sentissem as garras do Alfa Supremo cravadas em mim.

Mas nada disso... nada doía mais do que a sensação de ser apontado como traidor.

Eu.

Simon River.

Lobo de sangue beta.

Nascido para proteger, servir, lutar.

Honrado até o osso.

"Levante a cabeça. Não somos vermes!", rugiu meu lobo dentro de mim, feroz e impaciente. "Eles precisam sentir o peso da nossa verdade, nem que seja cuspida com sangue!"

Tentei erguer o rosto, mesmo que ele latejasse. Meus olhos estavam inchados, turvos, mas não vazios. Eu via cada olhar de julgamento. Cada centelha de dúvida. Cada desgraçado que agora cuspia no nome que antes reverenciava.

Meus ombros estremeceram. Arfei.

Uma fisgada de dor percorreu minha coluna quando tentei me endireitar.

— Então, por quê? — rosnei por entre as presas, a voz rouca de sangue seco e raiva contida. — Por que estou algemado em uma cela imunda, fedorenta, apodrecida de sangue coagulado e merda? Por que meus pulsos estão em carne viva, latejando como se ainda estivessem sendo dilacerados?

Minhas mãos pendiam, presas por correntes impregnadas de prata, que queimavam sem parar. O cheiro de ferro, suor e humilhação me cercava como um manto sufocante. Arfei com força. Cada respiração doía. Cada movimento arrancava um gemido gutural involuntário.

Encostei a cabeça contra a parede de pedra áspera, tentando controlar os tremores involuntários que percorriam meu corpo exausto. O grunhido de dor escapou antes que eu pudesse contê-lo. Meus músculos estavam tensos, febris. As feridas abertas, cobertas de crostas mal cicatrizadas, ainda sangravam.

— Como passei de leal a culpado? — murmurei, com a garganta seca, cada palavra soando como uma faca raspando pedra. — Como conseguiram me incriminar... e por quê?

Meu maxilar estava travado. Fechei os olhos. Revivi cada segundo da noite do ataque. Cada rosto. Cada decisão. Cada falha.

“E o mais importante, quem fez isto conosco?” meu lobo rosnou, fraco, arfando dentro de mim como se também estivesse acorrentado. “Estou tentando curar você, mas a prata me sufoca... ela está nos matando, Simon. Devagar.”

Estremeci.

Meus dedos formigaram.

O Supremo havia me enviado pessoalmente para as fronteiras. Uma ordem direta, sem margem para questionamentos. Segundo ele, havia indícios de infiltração entre os clãs inimigos, e como seu beta de confiança, fui.

Cumpri a ordem com honra, mesmo sentindo o cheiro de emboscada no ar.

“Eles sabiam que você ia obedecer. Nos mandaram para morrer”, rosnou meu lobo, ainda ferido, mas atento. “Fomos afastados de propósito.”

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