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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 304

POV: SIMON

Daimon permaneceu calado por alguns segundos. A mandíbula travada, os olhos fixos em mim. Seus traços duros revelavam um incômodo real. Havia tensão nos ombros, os músculos do pescoço marcados. Seu corpo transmitia desconforto, raiva contida e uma clara irritação.

Não era comum ver reações tão evidentes nele.

Mas bastou um breve desvio de olhar para entender.

Airys o observava de perto. O corpo dela não se mexia, mas o olhar estava aceso, como se esperasse por um movimento que não viesse. Havia algo não dito entre os dois, e isso tornava o ambiente mais denso.

Daimon não respondeu. Apenas observava.

— Alfa, com todo respeito... isso é um absurdo! — protestou Jasper, elevando o tom. Se virou, visivelmente abalado. — Eu não posso aceitar esse duelo! Ele está machucado. Não está em condição. Isso não é justo.

— Simon está ciente de suas condições, guerreiro Jasper. — declarou o Supremo, com a voz firme e sem pressa. — A lei foi invocada. Não há o que ser feito.

Ele soltou o ar devagar, como quem estava prestes a impor uma decisão final. Então voltou a me encarar. O olhar firme. Avaliador. Como se ainda buscasse sinais de dúvida no meu rosto.

— Pretende seguir com isso, beta?

Endireitei o corpo o máximo que consegui, ignorando a dor espalhada pelas costelas e ombros. O corpo tremia por dentro, mas a decisão já estava tomada.

— Sim, meu rei. — respondi sem hesitação. — É o meu desejo.

— Jasper, um lobo poderoso o desafiou pelo título de beta, já que você foi indicado para assumir a posição. — declarou Daimon, a voz vibrando em tom grave. Era possível notar a tensão em seu tom. Ele não estava satisfeito com a decisão, mas não recuaria diante da tradição. — A Lei Antiga é clara. Se o lobo desafiado recusar o duelo, será expulso da alcateia por covardia e desonra. Meu conselho é que aceite o desafio do antigo beta... e lute por sua vida e por seu título.

A tensão cresceu imediatamente.

Jasper olhava fixamente para mim, sem esconder o desconforto. As mãos dele estavam rígidas ao lado do corpo. Respirava fundo, como se tentasse manter o controle.

Airys se levantou de forma brusca. A cadeira arrastou levemente para trás. Ela bateu as duas mãos sobre a superfície da mesa, encarando Daimon com os olhos arregalados e o maxilar travado.

— O quê? — soltou, sem esconder a indignação. — Você não pode permitir isso!

Daimon não hesitou.

— Eu já permiti. — respondeu de imediato, em um tom seco e autoritário. O rugido contido em sua voz era suficiente para silenciar o salão. Ele se manteve firme, encarando Airys sem desviar. — Estas são as Leis Lupinas, minha Luna. Se vai ocupar este posto, precisará aprender a aceitá-las. Caso contrário... retire-se do julgamento.

— Como é que é?! — Airys rosnou, avançando um passo. As presas já estavam expostas, a expressão tomada pela fúria. — Ao menos nos deixe ver as filmagens antes desse massacre sem sentido!

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