POV: SIMON
Os murmúrios se espalharam entre os membros do conselho, cada um reagindo à revelação com expressões diferentes. Alguns cochichavam, outros franziram a testa ou estreitaram os olhos. A confusão se instalava. Mas Daimon não reagia como os demais.
Ele continuava parado, me encarando. O olhar dele era firme, atento. As pupilas dilatadas denunciavam que Fenrir estava à superfície, espreitando. O tom vermelho em seus olhos se tornava mais nítido a cada segundo. A tensão no corpo dele era visível. Não se movia, mas era como se estivesse prestes a avançar.
Airys também não tirava os olhos de mim. Os olhos dourados estavam mais abertos do que o normal, e agora exibiam nuances amareladas. Ela estava em alerta total. O peito arfava, e seus dedos agarravam a borda da mesa com força.
— Por que você foi torturado, beta? — questionou Daimon com a voz baixa e firme. Ele estalou a língua logo depois e tombou a cabeça para o lado, como se esperasse algo que já sabia.
Me mantive ereto. Era hora.
— Porque protejo o culpado. — declarei, mantendo os olhos à frente. — O culpado por permitir que a alcateia fosse atacada. O culpado pelas vidas que foram ceifadas sem honra.
Desviei o olhar para a lateral do salão. Mendy.
O rosto dela estava pálido. O sorriso havia desaparecido. Os olhos arregalados. Os ombros curvados. Estava recuando devagar, passo por passo, como se ninguém fosse notar. A respiração curta, acelerada. Os dedos tremiam ao lado do corpo. Ela começava a se afastar da área central do julgamento. O salto do pé direito falhou e arranhou discretamente o chão.
Ela estava prestes a fugir.
E finalmente... com medo.
As portas da câmara se abriram com firmeza. Jasper entrou apressado, segurando um tablet com as duas mãos.
— Com licença. — disse ao se aproximar, passando por mim sem hesitar até parar diante do conselho e do Alfa Supremo.
Daimon assentiu levemente com o queixo, sem mover o corpo.
— Consegui as imagens solicitadas da prisão, meu Alfa.
— Excelente. Inclua no telão. — ordenou Daimon com a voz firme e controlada. Seus olhos continuavam cravados em mim, sem piscar, sem desviar.
Airys estava inquieta. As pernas moviam-se sob a mesa, o peito subia e descia rápido. Seus olhos varriam o ambiente com desconfiança, e os dedos pressionavam a lateral da mesa com força.
O cheiro de medo se espalhou de forma nítida. Forte. Puro. Vinha de apenas uma direção.
Virei o rosto com cuidado.
Mendy não estava mais ali.

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