POV: JASPER
— Por favor, Alfa... me perdoe. — A voz dela falhou. Tremia dos pés à cabeça. O cheiro de medo encheu o salão, ácido e forte, escapando de seus poros. O corpo pequeno dobrado no chão não parava de estremecer. — Por favor... ele destruiu minha loba... eu não a sinto mais... Simon nunca foi punido por isso. Ele mereceu morrer... mereceu.
— Mereceu? — A voz do Alfa Supremo soou baixa, carregada de fúria. Ele ergueu uma sobrancelha lentamente. O rosto não mostrava humanidade. Os olhos pareciam esculpidos na raiva. — É isso que pensa?
Daimon inclinou a cabeça de lado. As veias pulsavam em seu pescoço. As presas estavam à mostra. A tensão no salão se tornou insuportável.
Sua língua passou devagar pelas presas, como se saboreasse o momento. Quando falou novamente, a voz soou dobrada, uma mistura de lobo e homem. Grossa. Arrastada. Fria.
— Mendy... — Ele disse, como se mastigasse o nome. — Você ainda não sabe o que é dor de verdade..., mas vai aprender.
Ele se agachou diante dela com precisão controlada. Sem hesitar, agarrou seus cabelos com brutalidade e puxou com tanta força que parte do couro cabeludo se rompeu, revelando a pele ferida. O grito de dor dela ecoou, abafado. A cabeça foi forçada a se erguer, os olhos marejados encontraram os dele.
— Vou te mostrar o que é o verdadeiro inferno na terra. — A sentença saiu firme, carregada de fúria contida.
— Não... não... — Ela choramingou, a voz trêmula e rouca, o corpo sacudindo em desespero. — Por favor, Alfa... por favor...
O olhar dela se virou para Airys, numa súplica muda. A Luna Suprema estava imóvel, os olhos arregalados, a boca coberta pelas próprias mãos. O corpo dela não reagia, como se o choque tivesse travado até o ar em seus pulmões. Os olhos fixos em Simon, caído no chão, coberto de sangue, inerte.
— Luna, por favor... Imploro por benevolência. — Mendy choramingou, virando o rosto na direção de Airys.
Airys a olhou de canto. Seus olhos dourados estavam impassíveis, frios, intensos. Não havia compaixão neles, apenas julgamento. Mendy encolheu o corpo, tremendo.
— Espero que meu companheiro seja lentamente cruel com você, sua cadela traidora. — A voz de Airys saiu firme, sem hesitação, carregada de desprezo. — Tirem esse lixo daqui.
Ela nem olhou de novo para Mendy. Se virou e correu até mim, ajoelhando-se ao meu lado. As mãos trêmulas tocaram o peito de Simon, depois o pescoço, buscando a pulsação.
— Ele morreu, Luna... — sussurrei com um nó preso na garganta, sem conseguir conter o tremor que tomou meu corpo. — Eu o matei...
— Vamos levá-lo até a fonte. — Airys exclamou com a voz embargada. Os olhos estavam arregalados, vermelhos, cheios de lágrimas. — Talvez ele ainda possa se curar, talvez...
— Airys. — A voz de Daimon cortou o espaço com firmeza. O som grave se espalhou, vibrando em seu peito como um aviso. — Não há mais vida no corpo dele. A fonte não cura o vazio. O espírito se foi.
— Mas... — Ela tentou insistir, mas a voz falhou. As lágrimas caíam sem controle, os lábios tremiam. — Não podemos aceitar isso. Eu... eu não consigo.
— Foi a escolha dele. — O Alfa ressoou imponente, vibrando rosnados em seu peito, a expressão fechada, o olhar fixo. — E vamos honrá-lo por isso.
Silêncio. Um silêncio pesado.
— Levem Mendy para a sala vip da masmorra. — Concluiu Daimon, frio. — Mais tarde resolveremos o destino dela.

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