POV: DAIMON
À minha frente, Simon se ajoelhou sobre uma das pernas, curvando a cabeça como um guerreiro diante do seu Alfa Supremo.
— Tem a minha palavra, Supremo. — declarou com firmeza, sem hesitação. — Protegerei sua família e guiarei esta alcateia com a minha própria vida.
Pousou a mão direita sobre o peito, acima do coração, e ergueu o olhar para mim com respeito.
— Tem a minha lealdade.
Mantive o olhar fixo nele por alguns segundos. Sólido. Avaliando sua entrega. A resposta estava nos olhos dele, no controle da postura, na ausência de medo.
— Não falhe. — foi tudo o que disse, direto.
Assenti brevemente e me afastei. Simon desceu pela lateral da passagem escondida, desaparecendo no escuro sem ruído. Fechei a porta com cuidado e caminhei até a cama. Airys continuava adormecida, o corpo levemente encolhido, os cabelos espalhados pelo travesseiro.
Me sentei na beira do colchão. Observei por um momento o contorno suave de seu rosto. Levei a mão até sua face, tocando com firmeza e cuidado. Os dedos deslizaram pela pele dela, sentindo o calor constante. A respiração estava calma, regular. Mesmo dormindo, o corpo dela pareceu reconhecer minha presença. Airys se inclinou inconscientemente na direção do meu toque, o nariz roçando contra minha mão.
— Hunf, manhosa. — murmurei, deixando escapar um sorriso discreto.
Passei o polegar pelo alto da bochecha dela, sentindo a textura da pele. O peito pesava, mas a certeza permanecia firme.
— Ainda que eu não possa viver o resto da vida ao seu lado... — falei baixo, com a voz firme. — O que você despertou em mim foi o suficiente para fazer essa vida valer a pena.
"Estupido." Fenrir bufou, entediado. "Não pode dizer que eu valho mais que este fascínio a nossa frente, você deve ser o Alfa mais burro da história."
Ignorei.
Os olhos dela se abriram devagar, pesados de sono. O dourado profundo preencheu o espaço entre nós. Piscou algumas vezes, ajustando a visão, até que os olhos encontraram os meus.
— Me vigiando dormir? — provocou com um bocejo, a voz rouca de sono. O rosto corado ainda marcado pelos vincos das cobertas.
Ela se ergueu devagar, apoiando os cotovelos no colchão. O tecido escorregou pelo corpo, revelando suas curvas nuas com naturalidade, como se soubesse exatamente o efeito que causava.
— Está sem sono? — continuou, com um sorriso preguiçoso. — Achei que o havia cansado.
— Jamais me cansaria de admirá-la. — respondi sem hesitação.
Toquei seu queixo, firme, inclinando o rosto dela na minha direção. As presas roçaram suavemente contra seus lábios. O calor subiu pelo meu corpo, mas o controle ainda era meu. Por pouco.
— Pequena... — chamei em um tom mais baixo.
Fiz uma pausa.
Estava hesitando?
Eu nunca hesitava.
Mas com Airys... tudo era diferente. Ela não só me desafiava, me desmontava. Me mudava sem pedir. Me fazia sentir coisas que eu havia enterrado há tempo demais.
"Ela é o único ponto fraco que aceitamos..." Fenrir ronronou, erguendo o focinho próximo a janela dos olhos, erguendo a pata em direção a Airys. “A única que permito sentir e desejo proteger.”
Havia tristeza em sua voz, ele recuou instintivamente, sentíamos o que estava por vir.
— Não diga... — ela sussurrou antes que eu continuasse segurando minha mão com firmeza. Os olhos se fecharam, sentindo o toque como se quisesse gravá-lo na pele. — Vamos vencer essa guerra. Vamos quebrar essa maldição. Você e Fenrir... não precisam temer mais.

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