POV: AIRYS
— São muitos... — Murmurei, o peito apertando ao ver o hospital improvisado completamente lotado. Macas cheias, corredores entupidos, e dezenas de corpos deitados no chão frio, alguns inconscientes, outros gritando de dor. — A maioria precisa de cirurgia urgente. Eles não estão se regenerando.
"Estão fedendo a prata." Rielly rosnou, feroz, farejando pela janela do meu olhar, suas orelhas peludas arrepiadas. "O inimigo jogou prata sobre eles para retardar a regeneração Lupina. Malditos covardes! Atacar civis... isso é uma ofensa que merece sangue."
Respirei fundo, engolindo a raiva que queimava minha garganta. O cheiro de sangue misturado com ferro queimado era quase insuportável. Ferimentos expostos, carne corroída... cada visão me fazia querer explodir contra quem tinha feito isso.
— Luna, você precisa ver isto. — Uma das enfermeiras apareceu correndo, os olhos arregalados e a respiração curta. Ela apontou para a janela, para além das muralhas da alcateia. — Tem mais refugiados chegando. Soube que as alcateias menores foram atacadas... todos estão procurando ajuda e proteção do Supremo.
— Ótimo. — Respondi, a voz baixa e carregada de indignação. — Porque é exatamente disso que precisamos agora... mais vidas sangrando diante de nós.
— O que faremos? Só temos uma médica e somos poucas enfermeiras. — Uma das enfermeiras perguntou, a voz trêmula, o olhar perdido diante da quantidade de feridos espalhados pelo chão. Suas mãos tremiam enquanto segurava um rolo de gaze manchada de sangue.
— Mamãe? — A voz de Orion ecoou no meio do caos, chamando minha atenção. Ele vinha correndo junto aos irmãos, os passos rápidos e desesperados, as bochechas coradas pelo esforço.
— Ei? — Falei em alerta, abaixando-me para ficar na altura deles, meu coração disparando. — O que vocês estão fazendo aqui? Estão feridos? Foram atacados?
— Não, mamãe, estamos bem... — Orion respondeu, ofegante, tentando me abraçar.
— Soubemos o que houve pela professora na escola. — Theron completou, os olhos grandes e atentos varrendo o hospital improvisado. Ele parecia assustado ao ver tantos lobos feridos, alguns em agonia. — São muitos feridos, mamãe.
Segurei os ombros de ambos, tentando manter a calma. O cheiro de sangue e prata impregnava o ar, pesado, sufocante. Senti o estômago revirar ao ver uma criança pequena sendo carregada em uma maca improvisada com as pernas queimadas.
— Vocês não deveriam ter vindo para cá. — Falei firme, minha voz falhando um pouco diante do cenário caótico. — Precisam ir para o bunker com Alec. É lá que ficarão seguros e...
— Mãe, que tipo de filhotes acha que somos? — Orion interrompeu, um rosnado baixo escapando de sua garganta, os punhos cerrados e o queixo erguido em desafio. — Não podemos ficar escondidos enquanto o nosso povo sofre.
— É, mãe. — Theron complementou, estufando o peito com orgulho, os olhos dourados brilhando com determinação. — Seremos futuros Alfas, mas papai sempre disse que um líder protege o seu povo e os fracos desde cedo.
— Podemos te ajudar, mamãe... — Alec falou mais baixo, a voz suave, mas firme, segurando na barra da minha roupa. — Como fazíamos antes, no outro hospital. Sabemos fazer curativos e podemos pegar os remédios.
Respirei fundo, olhei para os três, um por um, tocando o rosto deles como se pudesse guardá-los para sempre em minhas mãos. O cheiro do sangue ao redor, os gemidos de dor e a visão das feridas profundas nos feridos tornavam tudo mais difícil.

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