POV: DAIMON
Foi então que um choro agudo chamou minha atenção. Uma criança, não mais que seis anos, estava deitada sobre um pedaço de lona improvisada, a perna ensanguentada, mordendo os lábios para não gritar. O cheiro de medo e dor dela me atingiu como uma lâmina.
— Farei cada inimigo sentir o dobro da dor infligida aos inocentes. — Minha voz saiu baixa, carregada de uma promessa que faria qualquer guerreiro tremer.
"Eu posso começar agora, Alfa." Fenrir rosnou, impaciente. "Deixe-me caçar os malditos que fizeram isso. Vou arrancar os olhos deles e jogar como brinquedo para os filhotes."
— Supremo, posso fazer uma varredura e avançar com soldados para dar suporte às alcateias pequenas que estão sendo atacadas... — Jasper falou, cerrando os punhos, o tom grave, os olhos ardendo de frustração.
— Não adianta. — Respondi, passando por ele com um olhar cortante. — Precisamos de Alfas na linha de frente, e você mal se tornou um Beta, Jasper.
— Eu sei... — Ele sussurrou, a voz tensa. Seus punhos tremiam, as veias do pescoço saltando. — Não possuo a força de Simon, estou ciente disso, mas garanto que sou útil nesta batalha. Podemos lutar juntos. Não temos como acomodar tantos refugiados e...
— Jasper. — Meu tom desceu, mais baixo, carregado de ameaça. Cada palavra saiu lenta, pesada. Ele estremeceu, baixando a cabeça sem ousar me encarar. — Sua prioridade é manter a minha Luna e os filhotes em segurança. Qualquer sinal de ataque e você os leva para o bunker de prata que mandei construir.
— E o senhor, Supremo? — Jasper suspirou, rosnando em contragosto, como se já soubesse que não gostaria da minha resposta. — O que pretende fazer?
— Farei eles se lembrarem do porquê ninguém deve irritar um Supremo com uma fera como Fenrir ao lado. — Sorri de forma ampla e perigosa, mostrando as presas que latejavam com a ânsia por sangue. A boca salivava em antecipação, e eu não me preocupei em disfarçar. — Será um maravilhoso banho de sangue, Jasper.
"Finalmente! Estou cansado dessa espera patética. Vamos arrancar cada pedaço deles e espalhar os restos como aviso. Quero ver quem ousa desafiar o Supremo depois disso." Fenrir rugiu dentro de mim, com uma excitação predatória que formigava em minha pele.
Uivei alto, a força do meu grito ecoando por toda a fortaleza enquanto eu caminhava pelo corredor e adentrava o centro do conselho. Os anciões estavam em plena euforia, as vozes misturadas a rosnados, os olhares tensos, alguns quase assustados com a intensidade da minha presença.
— Supremo, o que faremos? — Um dos anciões questionou, socando a mesa com força, as mãos trêmulas. — Perdemos contato com os pilares, e Stephan está desaparecido!
— Stephan é um Alfa. — Respondi de imediato, erguendo o queixo e encarando todos com desprezo. — Ele sabe como se cuidar.
Meu olhar percorreu cada um deles, firme, quase desafiador.

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