POV: ORION
Levantei o olhar, fixando Collen, que mantinha Alec presa pelos cabelos. Ela chorava, a boca aberta em súplica, tentando se soltar, o rosto vermelho e os olhos arregalados. Aquilo me fez ferver por dentro.
Fechei os olhos por um instante, tentando me concentrar, buscando aquele rugido que havia sentido antes, aquele poder que não era só meu.
— Eu sei que você está aí... — Sussurrei, com a voz embargada. — Preciso de você.
Mordi a boca com força, sentindo o gosto metálico do sangue.
— Meus irmãos precisam de mim... eles precisam voltar pra casa. — Um nó me sufocou na garganta, mas continuei implorando como nunca. — Venha até mim... me ajude, agora!
Senti algo subir por dentro de mim, feroz e esmagador, como se fosse me rasgar por inteiro. Cada osso do meu corpo estalou alto, como se estivesse quebrando. A dor me fez grunhir, os músculos se contraindo até o limite. Quando abri os olhos, tudo ao meu redor estava tingido de vermelho. O cheiro do sangue e do medo ficou tão forte que parecia me sufocar. A única coisa que restou em mim foi o desejo brutal de matar.
Não pensei, não hesitei. Avancei contra Collen com toda a força que tinha. Ele arregalou os olhos, surpreso, quando minhas mãos agarraram seu corpo e o ergueram do chão como se não tivesse peso. Com um rugido, o joguei contra uma árvore com violência. O impacto ecoou, e por um segundo tudo pareceu parar.
Alec caiu sentada no chão quando ele a soltou. Ela olhou para mim com os olhos bem abertos, as lágrimas ainda escorrendo pelo rosto.
— Orion... você está... — A voz dela gaguejou, surpresa, misturada com medo.
Virei o rosto para ela, o peito arfando e as mãos ainda trêmulas, sentindo uma lágrima quente escorrer pelo meu rosto.
— Corre até o Theron... — Falei, a voz baixa e firme, mas falhando no fim. — Não deixa ele sozinho.
Alec engatinhou até Theron, soluçando, mas sem desgrudar os olhos de mim. Ela tocou o rosto dele com cuidado, chorando baixo.
— Eu tô aqui, não te deixo...
Olhei para os dois, sentindo meu coração bater pesado e doloroso, enquanto meus dedos ainda latejavam pela força que usei. Sabia que precisava acabar com Collen ali, ou eles não teriam chance.
— Pirralho maldito, eu vou acabar com você! — Collen rugiu, tentando se soltar do tronco da árvore. Antes que conseguisse, avancei e o chutei com toda força, ouvindo seu grito rouco de dor.
“Me deixe cuidar disso... feche os olhos.” A voz fria e firme soou dentro da minha mente, tão clara que me fez estremecer. “Eu o farei sofrer.”
Meu corpo reagiu antes de eu pensar. Tudo ficou vermelho. A visão borrada pela fúria, o cheiro de sangue cada vez mais intenso. Senti minhas garras rasgando carne, mas não conseguia distinguir os movimentos, apenas os flashes rápidos, os gritos de dor, os uivos desesperados.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO